Viajar para Biombo, que há uns anos constituía grande preocupação, devido à degradação da estrada que liga Quinhamel/Piquil, agora a circulação torna-se mais fácil com a intervenção que está sendo feita naquele troço.
Dantes as pessoas levavam horas de viagem, mas atualmente são minutos, facto que contenta a população e as autoridades locais.
Relativamente às obras de construção dessa estrada, neste momento a empresa executora já alcatroou mais de sete quilómetros, isto é, de Quinhamel a Reino Tor.
Com a chegada de época chuvosa, os trabalhos vão concentrar-se na construção de uma ponte e aquedutos. Aliás, neste momento está-se a fazer ponte sobre o braço do rio no Reino Tor, enchimento de aterro, nivelamento e construção de valetas de drenagens.
Além de facilidade a mobilidade de pessoas e bens, essa infraestrutura rodoviária, vai projetar a região, proporcionando desenvolvimento sustentável, através de criação de emprego direto e indireto, assim como impulsionar o turismo.
Na região, já se vislumbra sinais de desenvolvimento, isso mesmo lê-se na cara das pessoas, lembrando que no passado foi criado um mito, segundo o qual, as tradições culturais da zona não permitiam a construção de infraestruturas rodoviárias. Mas, finalmente, essa narrativa caiu por terra.
Segundo explicações técnicas, a estrada vai ter dez metros de largura, passeio, sinalização e iluminação pública, e as obras terão, lembramos, a duração de 24 meses.
Essa infraestrutura ainda em curso está transformar Biombo numa zona de grande fluxo comercial, devido à sua localização geográfica e, estrategicamente, poderá albergar unidades indústrias.
Valorização de terrenos

Satisfeito com as obras da estrada, o governador da Região de Biombo disse que não tem adjetivos para descrever o grau de contentamento que sente na alma, razão pela qual agradece ao ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló e o atual Primeiro-Ministro, Ilídio Veiera Té, pela decisão corajosa em construir aquele troço que, no princípio, muitos pensavam que era um simples propaganda política.
Aldo José Lima lembrou que, na altura, as pessoas estavam reticentes, mas finalmente o sonho tornou-se uma realidade. “Sou testemunha da vontade do ministro das Finanças em garantir que o projeto é viável e realista. Acompanhei a celebração de contrato e o primeiro desembolso de dinheiro para a empresa executora”.
Segundo o governador, essa infraestrutura vai de certa forma valorizar os terrenos e impulsionar um desenvolvimento sustentável. “Neste momento, sem que os trabalhos fossem concluídos, as pessoas já se circulam com grande facilidade.
Além de valorização das parcelas de terra, de acordo com a explicação do governador, agora as mulheres horticultoras e pescadores conseguem transportar seus produtos em tempo recorde, enquanto no passado lavavam horas de viagem, o que refletia na venda.
Aldo José Lima disse, por outro lado, que algumas casas abandonadas já estão a ser recuperadas e os terrenos situados nas bermas de estrada já estão a ser identificados.
Mediante esta realidade, o governador disse que deu orientações de que é proibido qualquer construção neste momento perto da estrada e nalgumas localidades, sem plano urbanístico.
“Neste momento, estamos a trabalhar em colaboração com o Ministério das Obras Públicas num plano urbanístico, e se tudo correr como previsto, até final deste ano esse plano estará pronto”, informou.
Disse que não tem intenção de se apropriar de terreno de alguém para vender, como tem sido a prática há vários anos. O seu objetivo é urbanizar a zona para poder atrair investidores.
Segundo sua explicação, de Quinhamel a Bessalanca as construções que foram feitas não respeitaram as regras, visto que as pessoas constroem em cima de passeio, uma prática que queiram evitar.
Neste sentido, o governador disse que neste momento estão a desencadear uma campanha de sensibilização de pessoas para não construir casas perto da estrada ou nas zoas onde podem ser abertas novas ruas.
Aquele responsável assegurou que o desenvolvimento de qualquer país, vila ou cidade começa na estrada, porque é a partir dela que as pessoas circulam de um lado para outro e, se assim for, todas as aldeias e secções que compõe o setor vão tornar-se mais perto, facilitando desse modo a mobilidade.
Além disso, acrescentou, vai também permitir uma ligação mais rápida para as ilhas de Jeta, Pexice e Bolama Bijagós. “De Bissau para uma dessas ilhas leva três ou cinco horas de navegação, mas de Porto de Piquil para qualquer ilha pode levar menos horas de viagem. Portanto, é conjunto dessas vantagens que essa estrada vai trazer à zona”.
Alcatroamento de sete quilómetros

O engenheiro e responsável das obras, Estevão Dias Vaz, disse que lugares que puseram impregnação e katibet neste momento, vão tudo fazer para concluir os trabalhos antes de intensificar as chuvas.
Explicou que apesar de algumas dificuldades, conseguiram alcatroar mais de sete quilómetros e ainda está previsto asfaltamento de 15 km antes de intensificação das chuvas. Por isso que estão acelerar os trabalhos.
Segundo descrições adicionais do técnico, a estrada tem sete metros de largura e cinco centímetros de grossura de alcatrão. Informou, por outro lado, que no mês de Julho vão suspender os trabalhos de alcatroamento, prosseguindo com a construção de valetas e aquedutos.
Por seu lado, o cidadão Mati Dju disse que com a idade que tem, nunca acreditava se um dia aquela estrada seria alcatroada, mas, felizmente, este dia já chegou, por isso, ficou satisfeito.
Lembra que passavam enormes sacrifícios na viagem, devido às péssimas condições da estrada, isso sem falar de carros que, também, davam dores de cabeça.
Quem também não escondeu a sua satisfação foi o Santo António Ié, que agradeceu o governo pelo trabalho feito.
No entanto, disse que a construção dessas estrada vai pôr fim o sofrimento da população, sobretudo de mulheres vendedeiras, que arriscavam aluguer táxi só para poder chegar cedo a Bissau com seus produtos.
Reconheceu que a estrada estava em péssimas condições, situação que criava grandes dificuldades para a população, mas agora foram supridas.
Sublinhou que, além de facilidade que a essa infraestrutura está trazer para a região em termos de circulação de pessoas e bens, vai atrair investimentos.
“Estou esperançoso que daqui a algum tempo vamos ter muito trabalho, porque vai começar as obras de construções de casas e de outras infraestruturas”, concluiu Dju.
De salientar que a Região de Biombo é conhecida pela extensa áreas de mangais, riquíssimo em crustáceos e ostras, possuindo uma paisagem composta por bolanhas, palmeiras, savana, plantações de cajueiros, cana-de-açúcar e praias. Mas com toda essa riqueza, figura entre regiões mais atrasada do país em termos de desenvolvimento.
Alfredo Saminanco
