Arthimiza Mendonça defende que “futuro da Guiné-Bissau é mulher”

O futuro da Guiné-Bissau é mulher, defendeu Arthimiza Mendonça, depois de ter regressado de Acra (Gana), com três prémios conquistados, nomeadamente o Ícone das 100 Mulheres mais Influentes da África, Liderança em Impacto Cultural e Social, bem como 100 Pioneiras mais Influentes da África.

A distinção foi feita pelo Centro de Empoderamento de África, com sede em Acra, no passado 26 de março, que galardoou esta jornalista, ativista social e CEO da Revista Pérola Afrikana.

Em declarações à imprensa, Mendonça disse que o país precisa mais das mulheres do que homens, porque “somos a mudança”, apesar de existir poucas senhoras na liderança, concretamente na política, o que as tem afetado diretamente.

“Quando não temos voz não somos capazes de fazer a transformação. Só é eficiente enquanto estarmos e decidirmos juntos, porque os homens decidem por nós e aceitamos, porque muitas vezes não temos saída. Não pode ser por via da violência, mas sim através da sensibilização, para uma mudança psicológica”.

Segunda ela, para que haja qualquer mudança numa sociedade, é preciso trabalho psicológico, visto que ainda muitos homens não estão preparados em ver mulher na esfera de decisão. Quando isso acontece, adiantou, partem para agressões e ficam inibidos, sentindo-se ameaçados na sua posição, eis a razão pela qual sempre pautou que as meninas vão à escola, porque precisamos mudar essa sociedade só com o ensino.

“Para mim, este prémio representa força, resiliência, vontade de nunca desistir, porque é como injetar mais energia em mim, é acreditar naquilo que eu faço, é dizer que estou no caminho certo, é não desistir que fez de mim essa mulher resiliente, que todo mundo acha que sou forte, sim é verdade, mas às vezes também deixo de o ser, porque eu sou humana”, explicou.

Partilha de prémios

Arthimiza Arthimiza Mendonça defende que "futuro da Guiné-Bissau é mulher"

Mendonça endereçou agradecimento especial ao Dom Camnaté Na Bissign, que lhe abriu a porta para trabalhar com as mulheres desfavorecidas, com apenas 15 anos de idade e, na altura, era lutar contra o analfabetismo. “Atualmente, estou a colher o fruto daquela menininha inocente, que só queria transformar a sociedade, que desejou ver outras mulheres no mesmo patamar e que hoje é uma referência em África”.

Disse estar a representar muitas mulheres, “são tantas que fazem coisas brilhantes”, mas nem todas têm a mesma oportunidade de ser eleita. Por isso, partilhou os prémios com todas aquelas que estão a trabalhar de forma invisível.

Em relação ao prémio “Liderança em Impacto Cultural e Social”, manifestou satisfação em ver a sua luta contra clareamento da pele, violência doméstica, principalmente o abuso sexual e feminicídio, ter resultados positivos fora do país.

Esta é segunda vez que Arthimiza Mendonça é eleita como umas das 100 mulheres mais influentes da África, depois de 2024, razão pela qual recebeu o prémio ícone.

Adelina Pereira de Barros

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