O diretor do Centro de Saúde de Bula revela a incapacidade da aquela estrutura sanitária em atender as necessidades da população. Assim, pede a intervenção do governo para a sua ampliação, elevando-o à categoria A, de forma a poder responder os desafios sanitários da zona.
Em entrevista ao jornal Nô Pintcha, Celestino Biaguê disse que o centro é de tipo C, portanto, a estrutura daquela dimensão só faz atendimentos ambulatórios.
“A nossa ambição é de atender todos os pacientes, por isso, mesmo que o doente requeira outros cuidados, tentamos, à medida do possível, atendê-lo e só depois que mandamos para outros centros mais especializados”, disse.
Segundo sua explicação, há casos que podem ser tratados a nível do centro, mas devido às limitações formais não arriscam, porque qualquer coisa que vier acontecer “seremos responsabilizados, por isso, não aventuramos”.
“Os casos do paludismo, da diarreia, de gripe e outros, podem ser atendidos aqui, por serem patologias que levam uma semana de tratamento, mas devido às condições do centro são evacuados para Bissau ou Canchungo. Acontece que muitos deles recusam, fazendo recurso ao tratamento tradicional”, revelou.
Dado o aumento de número da população e a própria extensão territorial do setor, Celestino Biaguê defende a ampliação e elevação do centro, para estar à altura dos desafios sanitários da zona.
O diretor disse, por outro lado, que o centro só tem uma sala de observação com quatros camas para atender uma população estimada em mais de 30 mil habitantes, “é um fardo bastante pesado, ainda quando se trata de estrutura daquela dimensão”.
“São nessas condições que trabalhamos todos os dias. Chega momento em que os doentes são atendidos, mesmo estando num estado crítico, no corredor ou deitado no chão, porque não há outra maneira. Este tipo de situação nos afeta bastante, porque, às vezes, não conseguimos atender todos pacientes”, lamentou.
O diretor sublinhou que o centro não está em condições de cobrir a área sanitária de Bula, mas mesmo assim o centro é procurado pelas populações das outras áreas, por exemplo, da Região de Oio e o Setor de Bigene.
Quanto à maternidade, Celestino Biaguê disse que o centro não tem grandes dificuldades, porque beneficiou de um bloco, financiado pela Igreja Católica.
Falta de recursos

O diretor do centro disse que a sua estrutura sanitária tem dois médicos, duas parteiras, um farmacêutico, dois analistas e nove enfermeiros, o que significa que ainda “precisamos de mais técnicos para atender as necessidades da população”.
Mediante a insuficiência de parteiras, explica Celestino, adaptamos alguns enfermeiros para ajudar nos trabalhos de parto e noutros serviços concernentes. “Estamos com enormes dificuldades, pelo que é urgente a intervenção do governo para ampliação do centro.
Em relação aos materiais, aquele técnico disse que o centro está com falta de pinça de colo, tesouras e porta-agulhas, situação que, segundo ele, está a constituir dor de cabeça para a direção. “Estamos a diligenciar junto da Direção Regional de Saúde para solucionar o problema, quanto antes”, revelou.
Desde a sua nomeação, assegurou ter trabalhado para que não falte os medicamentos essenciais na farmácia, o que tem dado resultado satisfatório, e graças a esse empenho conseguiram também fazer a manutenção da ambulância que estava avariada há vários meses.
Além disso, de acordo com aquele responsável, conseguimos, com meios próprios, adquirir alguns materiais hospitalares e cobrir algumas despesas do centro.
Doenças frequentes

Celestino Biaguê disse que as doenças mais frequentes na zona são paludismo, diarreia, gripe e tifoide, embora na época da chuva os primeiros dois casos aumentam ainda mais, principalmente nas crianças e idosos, por isso, todos os cuidados são poucos.
Além de fator chuva, acrescentou, também nas aldeias as pessoas têm hábitos de dormir fora de mosquiteiros e beber qualquer tipo de água, mesmo sabendo que não está em condições. Um outro fator está relacionado à falta de cuidados no consumo de certos alimentos.
Segundo Celestino Biaguê, sempre conversamos com os Agentes de Saúde Comunitário (ASC) para ajudar a passar a informação que dormir dentro de tenda evita a contrair o paludismo, um trabalho que, segundo ele, está a resultar na redução de casos de malária.
Disse que a hipertensão e diabete tendem a aumentar nos últimos anos no Setor de Bula, devido à falta de atividade física e o consumo excessivo de sal, que pode acelerar a pressão arterial, aumento da carga sobre o coração e vasos sanguíneos. Quanto ao aumento de diabete, segundo Biaguê, está relacionado ao excesso de peso, a falta de atividade física, consumo excessivo de açúcar, comidas gordurosas, entre outros.
Sobre a afluência de pacientes no centro de saúde, o diretor disse que houve uma evolução nesse sentido, graças ao trabalho conjunto com os Agentes de Saúde Comunitário, o que tem ajudado muito na mudança de comportamento da população local.
Revelou que nos últimos anos, o Setor de Bula registou o aumento de número de casos de tuberculose, alertando sobre o perigo que pode constituir para saúde pública, porque maioria dos doentes movimentam-se de um lado para outro.
Explicou que alguns pacientes recusam observar as orientações médicas e, em consequência, suspendem o tratamento, sem tomar em consideração que podem contaminar mais pessoas. Porém, disse que estão a trabalhar, no sentido de diminuir prevalência de tuberculose, assim como outras doenças transmissíveis, através de campanha de sensibilização junto das comunidades.
Afirmou que as mulheres são as que mais procuram os cuidados médicos, por isso, quando se regista uma patologia numa mulher, é preciso que se faça o tratamento ao marido, mas como não têm muitos recursos, não conseguem fazer um tratamento eficiente.
Nesse sentido, o diretor apelou à população a recorrer aos serviços de saúde e cumprir com as orientações médicas e dos Agentes de Saúde Comunitária.
Alfredo Saminanco
