Situações de caracter ambiental preocupantes crescem nas ilhas bijagós. Tratam-se do assoreamento dos canais de navegação, da invasão de pescadores estrangeiros aos recursos haliêuticos e florestais e dos conflitos sociais referentes ao acesso às zonas de regeneração.
Com a erosão costeira que avança em muitas ilhas do arquipélago e da própria faixa costeira continental estão a multiplicar as bancas de areia nos canais de navegação, causando algumas dificuldades aos meios de transporte marítimos, nomeadamente pirogas, botes e barcos.
Esta constatação foi possível graças a uma reportagem realizada no quadro da deslocação, em finais de maio último, de uma comitiva da ministra das Pescas e Economia Marítima às ilhas bijagós.
A verdade é que, de ilha a ilha, os pilotos são obrigados a conhecer por onde colocar as embarcações, para não encalhar em plena navegação.
Outra grande inquietação no arquipélago é a invasão dos pescadores artesanais de várias nacionalidades, equipados com canoas a motor de grande porte, que ali se instalaram em acampamentos ilegais, pescando como entenderem, vendendo os produtos de pesca nos respetivos países de procedência.
Em Caravela, uma ilha situada mais a noroeste de Bubaque, encontram-se cerca de duas mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças, oriundos da Guiné-Conacri, Serra-Leoa, Gana e do Senegal, livres de pescarem. Eles construíram barracas por onde vivem, fornos a base da lama para a fumagem, cestos enormes para embalagem do pescado, carretas de rodas para o transporte das embalagens, e arrumam enorme quantidade de lenha e troncos para a fumagem de variedades de peixe, principalmente djafal (pageot)e bagre.
Os ocupantes ilegais desenvolvem atividades descritas como fatores de impacto ambiental nefasto, constituindo localmente uma ameaça ao valor patrimonial natural. No início, esses acampamentos eram tidos como temporários, depois foram ficando durante todo o ano. Os ocupantes contribuem para a diminuição das superfícies do mangal, causando indiretamente a erosão costeira; pescam com redes de monofilamento (rede tchás) em zonas de reprodução com impacto negativo sobre as reservas e cadeia trófica.
Em relação às condições de trabalho, os pescadores nacionais consideram-se limitados em termos de equipamentos e muitas vezes entendem que podem pescar em zonas proibidas, nomeadamente nos parques do arquipélago. Daí, a razão de entrarem em conflito com o pessoal dos parques que fiscaliza a atuação dos visitantes e assume a conservação da biodiversidade.
Os parques são locais confortáveis de regeneração da biomassa e não podem ser acedidos facilmente, sob pena de o país ficar, no futuro, sem peixe.
Bacar Baldé
