Ministro do Ambiente afirma que crise climática é uma ameaça

O ministro do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climatica disse que a crise climática já não é uma ameaça distante, está entre nós e manifesta-se através da elevação do nível do mar, as secas prolongadas, as inundações recorrentes, as ondas de calor cada vez mais intensas, os incêndios florestais e a degradação dos ecossistemas.

A observação de Carlos Pinto Pereira foi feita na sua mensagem alusiva ao Dia Mundial do Ambiente, celebrado hoje, 5 de junho.

Segundo o governante, durante décadas, a ciência alertou para os riscos da inação, por isso, foram estabelecidas metas globais e assumidos compromissos internacionais, contudo, muitas vezes, as respostas ficaram aquém da urgência exigida. “Hoje, sabemos que o custo da inação é muito superior ao custo da ação”.

No seu ponto de vista, as alterações climáticas não são o único sinal de alerta que a natureza envia. A crescente poluição por plásticos ameaça os rios, praias, os ecossistemas e comprometem atividades essenciais.

Para Carlos Pinto Pereira, combater a poluição plástica é proteger a saúde pública e a qualidade de vida das comunidades, é também uma responsabilidade coletiva que exige mudanças nos comportamentos e um compromisso firme com uma economia mais limpa e sustentável.

“Em todo o mundo, multiplicam-se iniciativas de transição energética, restauração de ecossistemas, agricultura sustentável e desenvolvimento de soluções inovadoras para enfrentar a crise climática”, salientou.

O ministro disse que o Dia Mundial do Ambiente convida-nos precisamente a fortalecer esses sinais positivos e a acelerar a ação climática e, para a Guiné-Bissau, esta mensagem assume um significado especial.

Lembrou que o país está entre os mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, pelo que a erosão costeira ameaça comunidades inteiras, a intrusão salina afeta terras agrícolas, as alterações dos regimes de chuva afetam a produção alimentar e os meios de subsistência das populações, as comunidades costeiras e rurais enfrentam desafios cada vez maiores para garantir o seu bem-estar e a sua segurança económica.

Informou que a Guiné-Bissau possui um património natural excecional que presta serviços fundamentais para a regulação do clima global, porque os seus mangais figuram entre os mais importantes da África Ocidental, armazenando grandes quantidades de carbono, protegem as zonas costeiras e sustentam a pesca de que dependem os cidadãos.

Disse, por outro lado, que as florestas guineenses, savanas e áreas húmidas desempenham igualmente um papel essencial na conservação, na regulação hídrica e na adaptação às alterações climáticas a reforçar o seu compromisso com a ação climática.

Garantiu que o governo continuará também a fortalecer a cooperação com parceiros nacionais e internacionais para mobilizar conhecimentos, tecnologia e recursos que permitam enfrentar os desafios climáticos de forma eficaz.

Por seu lado, a representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alessandra Casazza, afirmou que esta data reforça o compromisso da sua organização com a promoção do desenvolvimento sustentável, equilibrando as dimensões económica, social e ambiental.

Disse que a data é mais do que uma celebração, trata-se de um apelo global à responsabilidade coletiva, um lembrete de que proteger o planeta é uma missão partilhada por todos. “Na Guiné-Bissau, as mudanças climáticas já são uma realidade”.

No seu ponto de vista, a secas, inundações, erosão costeira e impactos na agricultura e pesca estão a afetar diretamente as comunidades e a economia do país. “Proteger o ambiente já não é apenas uma questão ecológica, é também uma questão de desenvolvimento e uma escolha económica inteligente”.

O Dia Mundial do Ambiente é celebrado este ano sob lema “Aja pelo clima agora”.

Alfredo Saminanco

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