O Centro de Saúde de Candjufa, no Setor de Pirada, Região de Gabu, Regulado de Propana, cobre 61 tabancas, o que obriga os técnicos a redobrarem esforços perante as enormes dificuldades com que aquele estabelecimento hospitalar depara.
Apesar de esforços e engajamento do seu pessoal, as dificuldades de ordem material, infraestrutura e de falta de meios de transporte para evacuação de doentes falam muito alto.
Em entrevista exclusiva ao Nô Pintcha, o responsável do referido centro de saúde descreveu em linhas gerais a situação institucional, destacando o enorme número de utentes que procuram os seus serviços com limitados meios materiais e infraestruturais.
Segundo Fodé Indjai, o centro cobre um enorme raio de ação, ou seja, 61 tabancas que procuram seus serviços diariamente, tendo sublinhado que, anualmente, atende mais de 1.323 grávidas, além de elevado número de outros pacientes.
Disse que perante esta pressão, o mais caricato é que o centro não possui atualmente uma ambulância operacional para evacuação dos casos mais críticos, que ultrapassam a capacidade da instituição, para o hospital regional em Gabu, que dista cerca de 21 quilómetros.
A única ambulância que o centro dispunha está avariada há mais de seis anos e tinha sido doada por um filho de Candjufa, fazendo com que os pacientes agora paguem custos da sua evacuação para a sede regional.
“Quando o caso requer evacuação, comunicamos a ambulância do centro de saúde de Pirada ou de Hospital Regional de Gabu e as famílias assumem os custos inerentes ao combustível para fretamento da viatura”, informou.
Apelo
Perante essa situação, Fodé Indjai apelou ao governo e às pessoas de boa vontade no sentido de apoiarem o centro com uma ambulância para poder garantir a evacuação de doentes, que requerem maior cuidado.
Igualmente, apelou para a ampliação dessa unidade hospitalar, permitindo maior atendimento de utentes. Aliás, disse que a própria população de Candjufa está empenhada na recuperação do antigo edifício do centro de saúde local, com esforços próprios.
Disse que se este for recuperado, vai ajudar os serviços de atendimento dos doentes, pois, o atual edifício do centro não é suficiente para albergar e atender de forma eficiente os utentes.
Em termos de condições funcionais, Fodé Indjai explicou que o centro possui o mínimo necessário, destacando casas de banho, água canalizada e energia elétrica, o que faz com que são garantidas as boas condições higiénicas e saneamento das instalações.
No que diz respeito a acesso aos medicamentos, disse que o centro dispõe de farmácia própria, que é abastecida regularmente com remédios básicos necessários e também há outra privada, em Candjufa que, onde os utentes recorrem com alternativa em caso não houver um ou outro medicamento no centro.
Recursos humanos

Relativamente, aos recursos humanos, o responsável sanitário de Candjufa disse que o centro possui um número razoável para atender as demandas, sendo um total de 12 elementos, entre os quais enfermeiros, parteiras, técnicos de laboratório, farmacêutico, auxiliares e serventes, faltando apenas médico.
Adicionalmente, o centro conta com 38 ASC- Agentes de Saúde Comunitária distribuídos – em diferentes tabancas, servindo de extensionistas de serviços sanitários nas comunidades. Eles desempenham um importante papel de apoio e orientação, fazendo mesmo ações de sensibilização e de primeiro socorro.
Em relação a materiais de mobilidade, disse que os técnicos do centro possuem três motorizadas e os ASC dispõem de bicicletas, são subsidiados mensalmente e regulamente capacitados.
Casos mais frequentes
Segundo Fodé Indjai, os casos mais frequentes da zona, sobretudo nesta época chuvosa, são o paludismo, a diarreia, as infeções respiratórias agudas e anemias, esta última mais verificada nas grávidas.
Em termos nutricionais, registam-se poucos casos, graças às ações de sensibilização que são frequentemente feitas pelos técnicos de saúde, com o apoio dos ASC.
Concernente aos óbitos, Fodé Indjai disse que são raros no centro, e mesmo a nível da maternidade não se registaram caso d género há alguns anos.
O responsável descreveu bom comportamento dos utentes, graças também a boa sensibilização, aliada a própria cultura da população local.
Djuldé Djaló
