BRICS: Presidente chinês defende construção de uma economia global, aberta e partilhada

O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, participou, no dia 8 deste mês, na cimeira virtual extraordinária do BRICS – grupo internacional de países emergentes, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos -, na qual, discutiram situação mundial e de interesse comum.

O encontro virtual dos líderes desses países foi convocado pelo Chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com uma nota distribuída a mais de uma centenas de jornalistas estrangeiros que se encontram na China, entre os quais o jornal Nô Pintcha, o Presidente Xi Jinping discursou nesse encontro virtual, afirmando que “é muito relevante que nós, líderes do BRICS, tenhamos esta cimeira para discutir exaustivamente a atual situação internacional e questões de interesse comum”.

No entender do Presidente chinês, o hegemonismo, o unilateralismo e o protecionismo estão a tornar-se cada vez mais desenfreados e as guerras comerciais e tarifárias, travadas por alguns países, perturbam gravemente a economia mundial, além de estarem a minar as regras do comércio internacional.

Xi considerou de crítico o atual momento, por isso, defendeu que os países do BRICS, na vanguarda do Sul Global, devem agir de acordo com o espírito do grupo – a abertura, inclusão e cooperação mutuamente benéfica e defender conjuntamente o multilateralismo e o sistema comercial multilateral.

Propostas

Lider-chines-com-seu-homologo-brasileiro-Lula-da-Silva BRICS: Presidente chinês defende construção de uma economia global, aberta e partilhada

Primeira: “devemos defender o multilateralismo para melhor defender a equidade e a justiça internacionais. A história mostra-nos que o multilateralismo é a aspiração comum dos povos e a tendência geral do nosso tempo.

O multilateralismo fornece uma base para a paz e o desenvolvimento mundiais. A Iniciativa de Governança Global que propus visa estimular a ação global conjunta para um sistema de governança mais justo e equitativo. Devemos seguir o princípio da consulta ampla e da contribuição conjunta para o benefício comum e salvaguardar o sistema mundial com as Nações Unidas no seu cerne e a ordem internacional baseada no direito internacional, de modo a consolidar os alicerces.

Ao mesmo tempo, devemos promover ativamente uma maior democracia nas relações internacionais e aumentar a representação e a voz dos países do Sul Global, melhorar o sistema de governança global por meio de reformas, a fim de mobilizar plenamente os recursos de todos os setores e enfrentar de forma eficaz os desafios comuns da humanidade”.

Segunda: “devemos defender a abertura e a cooperação mutuamente benéfica para salvaguardar a ordem económica e comercial internacional. A globalização económica é uma tendência irresistível da história. Os países não podem prosperar sem um ambiente internacional de cooperação aberta, e nenhum país pode dar-se ao luxo de recuar para um isolamento autoimposto.

Independentemente da forma como o panorama internacional possa evoluir, devemos manter o nosso compromisso com a construção de uma economia global aberta, de modo a partilhar oportunidades e alcançar resultados mutuamente benéficos.

Devemos defender o sistema comercial multilateral com a Organização Mundial do Comércio no seu cerne e opor-nos a todas as formas de protecionismo. Promover uma globalização económica universalmente benéfica e inclusiva, colocar o desenvolvimento no centro da nossa agenda internacional e garantir que os países do Sul Global participem na cooperação internacional em pé de igualdade e partilhem os frutos do progresso”.

Terceira: “devemos defender a solidariedade e a cooperação para promover a sinergia para o desenvolvimento comum.

Como diz um ditado chinês, «é preciso um bom ferreiro para forjar um bom aço». Só podemos lidar com os desafios externos de forma mais eficaz quando gerimos bem os nossos próprios assuntos. Os países do BRICS representam quase metade da população mundial, cerca de 30% da produção económica global e um quinto do comércio mundial.

Somos também o lar de importantes recursos naturais, grandes fabricantes e vastos mercados. Quanto mais estreitamente trabalharmos juntos, mais resilientes, engenhosos e eficazes seremos na resposta aos riscos e desafios externos”.

Cooperação de alta qualidade

Foto-familia-dos-participantes BRICS: Presidente chinês defende construção de uma economia global, aberta e partilhada

Anunciou que a China está pronta para trabalhar com os países do BRICS para implementar a Iniciativa de Desenvolvimento Global e promover uma cooperação de alta qualidade, no âmbito da Belt and Road.

Defendeu a necessidade de aproveitar os pontos fortes dos Estados membros para aprofundar a correlação prática e tornar a cooperação empresarial, financeira, científica e tecnológica mais produtiva, de modo a reforçar as bases, o impulso e maior impacto do BRICS, proporcionando benefícios mais práticos aos povos.

Xi Jinping terminou o seu discurso com essa frase metafórica: “vento forte testa a resistência da erva, e o fogo intenso revela o ouro verdadeiro. Desde que assumamos as nossas responsabilidades e cuidemos uns dos outros, o gigantesco navio do BRICS enfrentará as marés internacionais em constante mudança e navegará longe e com firmeza”.

Aliu Baldé, enviado especial a Pequim

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