A República Popular da China comemorou ontem, 3 de setembro, 80.º aniversário da vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial Antifascista, com emocionantes desfiles na capital, Pequim, de uma área de cerca de 16 mil km2.
Nesse Dia do Povo da China, as celebrações foram coloridas com as presenças de 26 Chefes de Estado e de Governo e ainda de organizações internacionais, com destaque para os Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Correia do Norte, Kim Jong-un, e do Vietnam, Luong Kuong.
A Praça da Paz Celestialem, da Tian’anmen, em Pequim, foi o palco de concentração de todas as atividades comemorativas, com a cobertura mediática de cerca de dois mil jornalistas, entre nacionais e estrangeiros vindos de todos os continentes.
No âmbito dessas comemorações, China e Rússia assinaram mais de 20 memorandos de entendimento sobre a cooperação, nas áreas da energia, espaço, inteligência artificial, agricultura, inspeção, saúde, investigação científica, educação, os media, entre outras.
O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a presença do homólogo russo nas celebrações demonstra plenamente a responsabilidade enquanto principais nações vitoriosas da Primeira Guerra Mundial e membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Chefe de Estado chinês voltou a centrar o seu discurso na luta pela paz mundial e no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas advertiu ao seu povo, que esteja atento a qualquer tentativa de agressão de um inimigo.
Por seu turno, Vladimir Putin declarou que, sob a liderança dos dois chefes de Estado, os laços China-Rússia são altamente estratégicos e encontram-se no seu auge.
A chegada de Vladimir Putin ao local, discurso do Xi Jinping, desfile militar, exposição do material bélico e a movimentação dos meios aéreos foram os momentos que mais emocionaram os presentes.
Historial da guerra sino-japonesa

O historial desse sangrento conflito entre a China e o Japão deixa memória violenta e desumana dos atos cometidos pelo exército invasor, mas a resistência dos invadidos foi determinante, o que valeu hoje em dia a preservação da liberdade e soberania do povo chinês em todos os aspetos.
A invasão do Japão à Manchúria (China), em 1937, teve como incidente da Ponte Marco Polo, no qual uma disputa entre os dois exércitos se deu o início de uma guerra mortífera que viria a terminar a 2 de setembro de 1945, com a rendição oficial japonesa, reconhecida pela China no dia seguinte, após ceifar vidas de mais de 300 mil pessoas.
O Tribunal de Crimes de Guerra de Nanjing documentou 28 massacres onde 190 mil pessoas foram mortas. Os métodos incluíam fuzilamentos em massa, enterro de pessoas vivas em valas comuns e mortes por incêndios.
Um dos crimes de guerra foi o “Hyakunin-giri”, uma competição entre soldados para ver quem decapitava primeiro 100 pessoas com uma katana, que começou em Xangai e terminou em Nanjing. Recentemente, em maio de 2023, foi descoberto um bunker perto da cidade de Anda, no nordeste da China.
Alguns pedidos de desculpas fora, feitos por primeiros-ministros japoneses, especialmente nas datas comemorativas do fim da Segunda Guerra Mundial.
Mas ainda não há um pedido de desculpas e reconhecimento oficial do Estado japonês pelos crimes de guerra cometidos nos principais países vítimas do imperialismo japonês – a Coreia e a China -, que até hoje exigem pedidos de desculpas oficiais e reparações às vítimas.
Atrocidades

O Japão invadiu China 1931, seis anos depois, os invadores provocaram o Incidente da Ponte Lugou, lançando uma guerra de agressão em grande escala.
O exército japonês atacou o Xangai em agosto de 1937, dando o início à conhecida “Batalha de Xangai”. O exército chinês resistiu tenazmente, frustrando a tentativa do Japão obter uma “vitória rápida”, o que galvanizou a determinação nacional de resistir à agressão.
Perante aquela resistência, o exército japonês desembarcou mais forças, atacando pela frente e por trás, os chineses foram forçados a recuar, e Xangai foi controlado pelo Japão a 12 de novembro de 1937.
Massacres horríveis
A 13 de dezembro de 1937, os invasores ocuparam Nanjing, sob o comando de Matsui Iwane, e este empregou métodos horríveis, como fuzilamentos em massa, enterros vivos, decapitações com espadas e queimaduras a soldados e civis chineses.
A vitória do povo chinês levou ao julgamento e condenação à morte do considerado criminoso, Matsui Iwane, por enforcamento e Hisao Tani foi executado.
Entretanto, até 3 de maio de 2025, restavam apenas 27 sobreviventes registrados do Massacre de Nanjing.
Aliu Baldé, enviado especial a Pequim
