Farim: Cria tradicional de animais desaparece progressivamente  

A tradicional cria de animais, uma prática secular, está em decadência no Setor de Farim. Em causa, está a falta de funcionamento dos serviços veterinários, agravada ainda mais pela mortalidade misteriosa dos pequenos ruminantes e roubo de gado.

Falando sobre o assunto, o administrador de Farim, Adji Sow, lembrou que aquele território era, tradicionalmente, rica em cria de animais, prática secular herdada dos ancestrais, mas que atualmente, como já foi referido, está a desaparecer gradualmente.

Segundo a sua explicação, na década de oitenta, os serviços veterinários funcionavam plenamente, onde se faziam ensaios de diferentes tipos de vacinas de animais. Com o tempo, acrescentou, essa dinâmica perdeu ritmo, situação que torna ainda mais complicado a cria.

Por isso, considerou de lamentável o estado em que se encontra a Granja de Farim, com edifícios totalmente arruinados, espaço cercado de palhas e outros objetos. “O Estado abandonou o que não devia, prejudicando desta forma a sobrevivência de muitas pessoas, sobretudo dos camponeses”.

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Inconformado com a realidade, Adji Sow decidiu, com parcos meios, reabilitar o edifício principal para dignificar, pelo menos, os funcionários daquela instituição tão importante para o crescimento económico do país.

Além de infraestruturas que se encontram num estado de degradação, também os funcionários estão já na idade de reforma, o que agrava inda mais o funcionamento desse serviço.

Lembrou que a vacina que no passado faziam com rotina, agora acontece só quando o criador solicitar ou se houver uma campanha, que raramente é realizada.

Por outro lado, o administrador confirmou a morte misteriosa e repentina de animais pode estar ligada ao uso de inseticida, um produto químico que os agricultores utilizam na preparação dos campos agrícolas.

“Apesar de não existir um estudo científico sobre o caso, mas o certo é que quando os animais comerem a palha nos campos, de imediato começam a sofrer diarreia e, por conseguinte, morrem”. 

Combate à criminalidade

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O administrado de Farim disse que há uma colaboração entre a Policia da Ordem Pública e a Guarda Nacional, o que resultou na criação dos agentes secretos nas linhas fronteiriças, de forma a ajudar as autoridades no combate aos crimes e à delinquência juvenil, praticas que nos últimos anos tem vindo a ganhar contornos alarmantes nos adolescentes e adultos.

Adji Sow informou que graças a essa cooperação institucional conseguiu desmantelar várias redes criminosas, nomeadamente o consumo de droga, burla, estupro e outros tipos de crimes.

Segundo sua explanação, o roubo de gado é a única prática que ainda está longe de ser controlada, mas estão a trabalhar com as comunidades no sentido de, pelo menos, reduzi-lo.

“A dificuldade continua a ser a falta de meios de transporte para polícias e guardas nacionais. Quando recebemos denúncia de roubo ou de qualquer ato, somos obrigados alugar motorizadas, o que, muitas vezes, dificulta a operação, além de ser arriscado transportar um malfeitor em moto”, explicou. 

No seu ponto de vista, as autoridades, dada a natureza dos seus trabalhos, não devem utilizar motorizadas alugadas ou emprestada, porque isso acaba por refletir, na maioria de vezes, nas suas missões.

Neste sentido, apelou ao governo a criar condições para a polícia e Guarda Nacional, a fim de poderem cumprir com seus deveres.

Informou, por outro lado, que antes de tomada de qualquer medida, primeiramente a administração dá conhecimento ao governador da região, por ser a figura máxima em termos de hierarquia de Estado, e só com seu aval ou autorização que a decisão se efetiva.

Quanto ao consumo de droga e de outros tipos de estupefacientes, o administrador disse que, de facto, não pode afirmar que não existe, mas o certo é que estão a trabalhar fortemente para combater esse flagelo, “porque é uma prática que afeta uma geração”.

Para isso, informou que deram instruções aos elementos da polícia e elementos da Guarda Nacional para estarem vigilantes no controlo do consumo desses produtos.

Adji Sow alertou sobre o perigo de consumo excessivo de sumos alegadamente considerados energéticos (24 horas, sete sete, rambo entre outros), “porque atualmente os jovens aproveitam introduzir outras substâncias nessas bebidas, facto que deve merecer atenção e a preocupação de todos”.

Mediante esta situação, o administrador manifestou-se preocupado com o aumento de importação e consumo de bebidas com proveniência duvidosas.

Reorganização de táxi-moto

O administrador do Setor de Farim disse que o surgimento e a proliferação de táxi-moto é um sinal de desenvolvimento e de alternativa à falta de emprego jovem, embora constitui uma ameaça à segurança rodoviária.

Porém, reconheceu a facilidade que trouxe para a mobilidade da população nas comunidades, sobretudo aquelas mais distantes. “No entanto, as autoridades estão a trabalhar numa tabela de preço, de forma a acabar com arbitrariedade na aplicação de tarifas.

Segundo sua explicação, de Porto de Farim para diferentes bairros é 300 francos CFA, e para aldeias arredores a tarifa vária de 500 a 1000 francos. De Farim a Tanaf (Senegal) é cobrado 3500, e qualquer pessoa que tente violar vai pagar as consequências.

Nessa dinâmica de reorganizar táxi-moto, de acordo com Adji Sow, dentro de alguns meses vai ser construída um terminal, para evitar estacionamento nos lugares impróprios. “Também ficou decidido que cada táxi-moto só pode levar uma pessoa, mas com o uso obrigatório de capacete e colete.

Disse que nesse momento estão a desencadear série de contactos com o sindicato de táxi-moto, para convence-los a começarem a pagar a taxa de circulação, mesmo que fosse um valor pequenino.

Falta de lugares de lazer

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O administrador disse que a cidade de Farim está num isolamento, por falta de ponte, dificultando investimentos. Acresce a essa situação, a ausência de espaços de lazer e de entretenimento, além de casas de pasto.

Segundo Adji Sow, dantes havia piscina que funcionava dentro do clube desporto, que conseguia juntar centenas de jovens e adolescentes.

Preocupado com a situação, prometeu trabalhar para devolver Farim alegria que vivia há uns anos, porque o objetivo é de arranjar ocupação para os jovens nos seus tempos livres. “Concretizar este sonho significa salvar centenas de pessoas de más práticas e de vícios”.

“Tínhamos um jardim que atraia qualquer pessoa, mas agora se encontra num estado indesejável, mas nós enquanto autoridades estamos a fazer aquilo que achamos razoável para sua manutenção – limpeza mensal”, salientou.

Quanto ao emprego, Adji Sow defende a necessidade de os jovens pensar nas iniciativas de autoemprego ou empreendedoras, porque a Administração Pública está congestionada e o setor privado que podia ser alternativa, também está descapitalizado e disfuncional.

Admitiu que nem toda gente pode trabalhar no aparelho de Estado, se isso é verdade, os que não conseguiram devem arranjar uma outra saída, tal como os estrangeiros fazem aqui. “Os emigrantes da República vizinha da Guiné não subestimam trabalho, hoje maioria deles são patrões”.

Perante o facto, apelou aos jovens guineenses a abdicarem das “bancadas” e discussões que não resultam em nada, porque se a juventude continuar com esse comportamento, daqui há alguns anos, a economia da Guiné-Bissau será dominada pelos estrangeiros.

Em relação aos centros de formação técnica e profissional, o administrador do Setor de Farim agradeceu ao ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que ajudou na criação da escola de informática, bem equipa com computadores de última geração.

No entanto, Adji Sow louvou o gesto do ex-Chefe de Estado, porque vai ajudar na formação de muitas pessoas e na retenção de jovens, pois, a partir desse centro pode-se formar engenheiros informáticos, o que vai contribuir no desenvolvimento do setor e do país em geral.

Alfredo Saminanco

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