Exigência da população ultrapassa capacidade do centro de saúde de Buba

Buba é uma cidade em constante crescimento, quer a nível populacional assim como em termos de mercado, ultrapassando assim algumas cidades regionais que, outrora, eram tidas como referências.

Em 2011, o então governo decidiu, com o apoio de Banco Mundial, construir de raiz um centro de saúde de tipo A, batizado com o nome de Arafan Mané N´djamba, para responder os desafios sanitários da zona.

Dada a potencialidade agrícola e o interesse económico que o setor representa, foi registado, nos últimos anos, um aumento considerável de população na cidade de Buba e em algumas tabancas arredores. Com esta situação, o centro de saúde viu a sua capacidade de resposta limitada.

Sala de observação

O diretor do centro, Vital Barbosa Vaz, disse que deparam com enormes dificuldades quer a nível de recursos humanos, assim como de infraestruturas. Neste momento, o centro funciona como uma unidade de referência na região, mas apenas com uma sala de observação para adultos.

Segundo ele, é nesse único compartimento que internam homens e mulheres, uma situação que contraria os princípios e privacidades de doentes. “Aliás, não é aconselhável internar mulheres e homens no mesmo espaço, mas como não há outra alternativa, somos obrigados a trabalhar nessas condições”.

Para fazer face aos desafios, Vital Barbosa pediu à intervenção do governo, no sentido de ampliar o centro ou elevar àquela unidade sanitária para um hospital regional, de modo a poder satisfazer as necessidades da população.

A sala de consulta também é muito pequena, de maneira que não oferece condições para um bom atendimento. Por isso, o diretor defendeu que é urgente criação de condições para que o centro possa estar à altura dos problemas.

Acresce a essa situação, a falta de sala de urgência, tanto que foi improvisada um outro espaço para esse efeito.

“O centro foi construído pensando apenas no Setor de Buba, mas agora responde para toda a Região de Quinará e uma parte da Região de Tombali, caso concreto de Quebo”, esclareceu.

De acordo com o diretor, só o Setor de Buba possuiu uma população estimada em cerca de 20 mil habitantes, e a região em mais de 60 mil habitantes para um centro de saúde com a capacidade de internamento de 23 camas, sendo oito para serviço de medicina, oito da pediatria e sete camas para os serviços da maternidade.

Para ele, sete camas para maternidade é insuficiente, tendo em conta o número de gravidas que recebem por dia, cuja maioria chega num estado obstétrico muito complicado.

“Dada a necessidade da população e as exigências sanitárias, o centro precisa de ser elevado à categoria de hospital regional, para poder contemplar os serviços que estão em falta como cirurgia, ortopedia, entre outros”, explicou.

Vital Barbosa Vaz informou, por outro lado, que o centro não tinha serviços de imagem (RaioX), mas devido à determinação da sua direção e o esforço dos técnicos, conseguiram instaurar esse serviço desde de fevereiro último.

Portanto, de acordo com aquele responsável, atualmente, é esse serviço que faz cobertura para duas regiões Quinará e Tombali, minimizando assim custos para os pacientes.

No entender de Vital Vaz, enquanto o centro continuar nessa categoria não pode beneficiar de apoios como um hospital, por isso, é chegado o momento de transformá-lo num hospital regional, “aliás, como é chamado por muitas pessoas, mas na prática não é”.    

Insuficiência de recursos humanos

Transformacao-do-centro-para-hospital-de-regional-scaled Exigência da população ultrapassa capacidade do centro de saúde de Buba

O diretor do Centro de Saúde Arafan Mané N´djamba, Vital Barbosa Vaz, disse que quando uma unidade sanitária é classificada como centro, o critério de afetação de técnicos é feita em função da sua dimensão.

Segundo a sua explicação, foi o que está acontecer com aquele centro que é dado como tipo A, mas na prática funciona como um hospital regional. Perante esta realidade, o centro está com insuficiência de técnicos para o seu funcionamento normal. “Se esta situação não for resolvida quanto antes, a população vai continuar a sofrer”.

De acordo com Vital Vaz, o centro Arafan Mané tem 43 técnicos no total, seis médicos, 24 enfermeiros, sete parteiras, dois farmacêuticos, um dentista, dois técnicos de laboratório e um de RaioX.

Para aquele responsável, cada um desses serviços precisam de ser reforçados com mais técnicos para que possam funcionar plenamente, com vista a responder as solicitações da população. Segundo ele, têm sistematicamente transmitida essa preocupação ao Ministério de Saúde, mas sem sucesso.

Doenças mais frequentes

Enfermeria-scaled Exigência da população ultrapassa capacidade do centro de saúde de Buba

Vital Barbosa disse que uma das doenças mais frequente na zona é paludismo, principalmente nesse período de chuva, onde os casos começam a subir no mês de junho a novembro, por isso, todos cuidados são poucos.

Uma outra doença frequente, segundo o diretor, é a diarreia, apesar de ser uma enfermidade que acontece quase todo o ano, mas na época chuvosa regista-se o aumento de mais casos, porque é o período que oferece mais condições para regeneração de larvas que estavam noutra forma, para poderem adaptar-se a uma outra realidade.

Segundo a explicação daquele responsável, a hipertensão e diabete tendem crescer nos últimos anos, o que está a constituir uma preocupação para o centro. “Temos casos em tratamento, além de surgimento de novos outros”.

Em relação à afluência de pessoas àquela estrutura sanitária, Vital Vaz disse que não tem muita queixa sobre o comportamento da população local, porque qualquer situação de mal-estar recorrem sempre o centro de saúde.

No que concerne ao serviço de banco de sangue, o diretor do centro revelou que, neste momento, estão com problema de stock, o que não é aceitável. “Nessa zona as pessoas não têm cultura de doação”.

Para inverter a situação, a direção do centro criou um programa radiofónico para sensibilizar as pessoas sobre a importância de doação de sangue, mas mesmo assim, a situação continua na mesma.

Como forma de fazer as pessoas a saber da importância de doação e transfusão de sangue, adotaram uma estratégia, envolvendo os Agentes de Saúde Comunitário para ajudar na sensibilização das comunidades. “Além disso, durante as consultas aproveitam transmitir mensagens sobre a relevância de doação de sangue.

Alfredo Saminanco  

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *