As autoridades administrativas estão determinadas em transformar Mansoa numa cidade mais limpa, urbanizada e atrativa. Por esta razão, foi instituída uma equipa, composta por funcionários do Comité de Estado, elementos das associações de jovens e de Taxi-Moto, para fazer os trabalhos de limpeza e remoção de lixo em todas as artérias.
Esses trabalhos fazem-se nas segundas, quartas e sextas-feiras e, no final de cada mês, Associação de Taxi-Moto ajuda a administração na recolha de resíduos.
Além de tornar Mansoa uma cidade limpa, a administração quer também com essa iniciativa contribuir na diminuição de propagação de diferentes tipos de doenças, o que, certamente, ajudará a população a poupar os parcos recursos financeiros que tem no tratamento médico.
Saneamento e urbanismo
Falando do saneamento básico e urbanismo, o administrador do Setor de Mansoa, Aliu Colibali, assegurou que a sua luta tem sido proporcionar a população um ambiente saudável, razão pela qual envolveu a comunidade nos trabalhos de limpeza, de forma a prevenir a propagação de doenças, sobretudo do paludismo.
Além da cidade de Mansoa, o administrador pretende implementar essa iniciativa em todas as secções que compõem o setor, porque entende que a dinâmica de desenvolvimento não deve limitar-se apenas aos centros urbanos, mas também as tabancas.
Foi nessa base que assinou com ONU-Habitat (uma agência especializada das Nações Unidas dedicada à promoção de cidades mais sociais e ambientalmente sustentáveis) um acordo de cooperação no âmbito de um projeto de melhoria de infraestruturas e ruas da cidade.
No quadro desse projeto, segundo Aliu Colibali, foi traçado quatro eixos fundamentais para o desenvolvimento da cidade de Mansoa, dos quais um já foi lançado, que é abertura de ruas e plantação de árvores, para facilitar o trânsito, a mobilidade das pessoas e evacuação de lixo, assim como tornar Mansoa uma cidade verde.
Disse que neste momento os trabalhos de arruamento estão suspensos por causa de chuva, mas com garantia das atividades virem ser retomadas em novembro.
Ainda no âmbito desse projeto, de acordo com aquele responsável, ONU-Habitat vai formar jovens em técnicas de tratamento de lixo.
O referido projeto, explica o administrador, vai intervir nas áreas do saneamento, urbanização, água canalizada, recuperação de infraestruturas de Estado e criação de espaços de lazer.
Neste sentido, pediu à colaboração e participação massiva de associações de jovens nos trabalhos, de forma a facilitar a circulação entre os bairros. A par disso, Colibali informou, igualmente, que a ADPP tem um projeto que vai intervir nas zonas rurais, no que se refere ao melhoramento de fogões e na construção de diques de cinturas nas bolanhas para garantir o aumento de produção de arroz.
Disse que enquanto responsável administrativo, vai acompanhar o desenrolar dos trabalhos no terreno e servir de veículo multiplicador daquela iniciativa em outras tabancas que não abrangidas pelo projeto.
Sobre o mercado principal, o administrador reconhece que o nível de procura ultrapassa de longe a capacidade de absorção da feira, pelo que é urgente identificação e, consequentemente, construção de um novo mercado.
Na incapacidade do mercado acolher todos os comerciantes e retalhistas, foi permitido as vendas nas ruas transversais ao mercado.
Quanto às obras de construção da estrada Safim/Jugudul, o administrador disse que uma equipa do Banco Mundial deslocou-se a Mansoa, onde se reuniu com as autoridades e a comunidade das tabancas arredores para apresentar suas necessidades antes do início das obras.
Admitiu que com a conclusão das obras desse troço, os desafios serão enormes, por isso, a administração está a pensar numa estratégia para acompanhar esse desenvolvimento.
Sociedade

No que se refere ao aspeto social, Aliu Colibali informou que recentemente o Grupo Ecobank abriu uma agência na zona, de forma a garantir maior segurança aos comerciantes, porque dantes trabalhava com riscos enormes.
Segundo o administrador, a abertura desse filial trouxe um alívio não só para o Setor de Mansoa, mas toda a Região de Oio, porque anteriormente os funcionários públicos deslocavam-se todos os meses a Bissau para receberem seu salário, situação que acarretava custos e prejuízo para administrações setoriais.
“Muitos funcionários foram agredidos em Bissau por bandidos que ficavam arredores dos bancos a espreitar o movimento das pessoas, mas agora com abertura desse filial em Mansoa, essa prática vai diminuir, embora não é todos os servidores públicos que são de Ecobank”, salientou.
Em relação à campanha de distribuição de mosquiteiros, o administrador disse que depois de terem sido concluídos os trabalhos, tomou a iniciativa de desencadear uma ofensiva de sensibilização, no sentido de fazer o bom uso dessas tendas impregnadas.
Lembrou que no passado as pessoas ao invés de dormir debaixo de tendas, usavam-nas na vedação dos perímetros hortícolas e na pesca.
Posse de terra
Relativamente aos conflitos de posse de terra, Aliu Colibali disse que depois da criação da Comissão Fundiária, esse problema reduziu bastante, porque agora todos os assuntos ligados à posse de terra são tratados nos comités de Estado.
Segundo ele, a criação dessa comissão é para não judicializar os conflitos relacionados com a terra, porque chegou-se a conclusão que muitas vezes os tribunais não ajudam na resolução de conflitos dessa natureza.
“Na resolução desses problemas são envolvidas as autoridades administrativas, Centro de Acesso à Justiça, comités de tabancas, régulos e anciões, porque o governo entende que é a fórmula mais correta para dirimir conflitos”, explicou.
De acordo com aquele responsável, o problema de posse de terra já resultou em mortes naquela zona, por causa de apropriação indevida de terras e venda de terrenos por mais de duas pessoas, mesmo sabendo que não têm condições de explorar o espaço adquirido.
Colibali revelou que a administração já tomou uma decisão que proíbe venda de terreno sem conhecimento do Comité de Estado, uma medida que está a dar resultados positivos.
Neste sentido, foi criada uma equipa que está ajudar na delimitação de terrenos para evitar confrontos e, posteriormente, tratar de documentos de legalização.
Conflito entre agricultores e criadores de gado

O administrador do Setor de Mansoa disse que nos últimos anos tem-se registado o aumento de conflito entre os criadores de gado e os agricultores por falta de zonas de pasto e transumância.
Informou que está a trabalhar para diminuir o conflito, através de criação de programas radiofónicos e promoção de campanha de sensibilização. Além disso, lembrou, promovemos um encontro com as partes, onde todos se comprometeram colaborar para evitar os confrontos.
No seu ponto de vista, esta situação, em maioria dos casos, é provocada por alterações climáticas, que contribuiram na redução de lugares de pasto.
Por outro lado, Aliu Colibali disse que já promoveram vários encontros com as partes para a criação de zonas de pastagem e definição de período que vai facilitar os criadores de gado e os agricultores.
Porém, reconhece que os criadores de gado passam muito sacrifício com seus animais, porque para conseguir água percorrem dezenas de quilómetros, o que, às vezes, facilita os ataques de ladrões.
“Aqui, a nível da administração, tentamos mediar as partes para evitar de fazer a justiça com as próprias mãos, porque entendemos que é a nossa responsabilidade, só que é difícil fazê-los perceber que agora ninguém pode fazer a justiça privada”, sublinhou.
Alfredo Saminanco
