UNFPA instala internet via Satélite Starlink em Maternidades Remotas

O sofrimento silencioso que durante anos assombrou as grávidas e os profissionais de saúde nas zonas mais recônditas da Guiné-Bissau conheceu o seu fim. Nas tabancas distantes e nas ilhas fustigadas pelo esquecimento geográfico, o início de uma complicação no parto era sinónimo de pânico. Sem sinal de rede móvel e com os caminhos transformados em lamaçais intransitáveis pelas chuvas, a linha da frente clínica ficava completamente isolada do mundo. Esperar era a única alternativa, mas nas emergências obstétricas o tempo não espera e o silêncio tecnológico traduzia-se na perda irreparável de vidas humanas. Este bloqueio dramático, conhecido como o “terceiro atraso”, foi agora quebrado através de uma aliança pioneira entre a medicina de urgência e a tecnologia via satélite liderada pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

Financiado pelo Fundo Mundial e em coordenação com o Ministério da Saúde Pública, o UNFPA avançou com a instalação de vinte sistemas de internet de alta velocidade Starlink em pontos críticos do país. A estratégia nasceu assente em dados severos do Instituto Nacional de Saúde Pública (INASA), que apontavam as re⁹giões de Gabú, Bafatá, Tombali e Bolama como os territórios mais desprotegidos face à mortalidade materna e às crises obstétricas. Para o UNFPA, tornou-se claro que a resposta eficaz exigia uma ponte imediata de comunicação capaz de ligar o posto de saúde mais isolado ao hospital nacional de referência.

A verdadeira alma deste projeto assentou no esforço operacional das equipas técnicas do UNFPA. Analistas de programas, peritos em logística e técnicos de comunicação da agência deslocaram-se para o interior do país. Navegaram em canoas pelo Oceano Atlântico até ao arquipélago dos Bijagós, conduziram horas a fio por caminhos degradados e enfrentaram as inundações de Tombali para garantir que a conetividade chegava onde o isolamento era mais severo. Foram estes técnicos do UNFPA que instalaram cada antena e formaram presencialmente os profissionais de saúde locais, garantindo que a tecnologia ganhava um rosto humano e protetor.

A infraestrutura foi montada de forma cirúrgica. Quinze sistemas Starlink Mobile foram ativados nas unidades sanitárias periféricas de Sarre Bacar e Tendinto (Bafatá); Beli, Lugadjol, Dandum e Bajocunda (Gabú); Buba, Ga-Para, Banta e Darsalame (Quinara); Calaque (Tombali); e ainda em Bolama, na Ilha das Galinhas e na remota ilha de Caravela. Para dar sustentabilidade à rede, o UNFPA ancorou cinco sistemas Starlink Enterprise de alta capacidade nos polos de gestão regional de Bafatá, Gabú e Catió, bem como na Direção dos Serviços de Saúde Reprodutiva e na Escola Nacional de Saúde, em Bissau.

Hoje, a rotina destas maternidades foi profundamente transformada. Diante de um parto distócico ou de uma hemorragia pós-parto, a parteira da tabanca já não está sozinha. Através do sinal móvel do UNFPA, os dados clínicos são partilhados instantaneamente com a Direção Regional de Saúde. Caso a urgência exija intervenção cirúrgica avançada, a conetividade de banda larga permite coordenar em minutos a evacuação com o Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau. O circuito de referenciação passou a funcionar em tempo real, permitindo que a equipa médica na capital prepare o bloco operatório muito antes da chegada das ambulâncias.

Para fechar o ciclo de sobrevivência, 0 UNFPA reforçou simultaneamente estas maternidades com equipamentos cirúrgicos modernos, incluindo aparelhos de eletrobisturi, mesas operatórias e kits avançados de reanimação. Pelas regiões visitadas, os relatos das equipas clínicas coincidem: a conetividade trouxe uma segurança que antes parecia inalcançável. Mais do que a entrega de tecnologia, a ação do UNFPA estabeleceu uma rede de dignidade humana. No coração profundo da Guiné-Bissau, onde a distância fisica sempre foi um obstáculo à sobrevivência, o apoio e a determinação do UNFPA ergueram a mais eficaz e humana linha de vida para salvar as mães do país.

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