A expansão da capital Bissau afeta a produção da castanha de caju na Região de Biombo, sobretudo na presente campanha. Em causa está a desmatação de pomares para a construção de habitações.
Insatisfeito com aquilo que considera de invasão à sua zona de jurisdição, o governador da região, Aldo José Lima, confirmou que a presente campanha de caju na região é péssima, porque foi registada uma baixa considerável na produção desse produto estratégico, isso em comparação com anos anteriores.
Na sua explicação, informou que o mês de maio é considerado de maior fluxo de comercialização da castanha, mas este ano não é o caso, situação que, não só preocupa os agricultores e comerciantes, mas também as autoridades, porque certamente, vai deixar milhares de famílias com fome.
“Neste momento, a procura é maior que a oferta, contrariamente aos alguns anos transatos, facto que demonstra que a produção está a retroceder gradualmente. A cada ano que passa regista-se uma baixa na produção, aliás, mesmo não sendo técnico da agricultura, alguém consegue perceber essa situação”, disse.
Aldo José Lima disse que, apesar da fraca produção da castanha, o preço base fixado pelo Governo está a ser respeitado, o que revela uma boa colaboração entre as entidades intervenientes na fileira.
Sobre o assunto, o governador enalteceu o esforço do delegado Regional do Comércio na fiscalização do preço. Ele aproveitou a ocasião para apelar aos produtores a venderem a castanha antes do intensificar das chuvas, porque daqui a algum tempo o preço pode baixar devido as condições climatéricas e as populações podem correr o risco de ficar com a castanha.
No cômputo geral, de acordo com o governador, a campanha de comercialização da castanha de caju está a decorrer, normalmente, na Região de Biombo. A única preocupação é a desmatação dos cajueiros para outros fins, caso por exemplo de habitacionais.
Este ano, segundo Aldo Lima, os agricultores estão unânimes em colaborar na denúncia de qualquer tentativa de alteração do preço base. Ao respeito, ele elogiou o comportamento dos comerciantes locais e da população em geral, de forma como estão a cooperar para o sucesso da campanha.
Antes do início da campanha, o Governo local manteve um encontro com todos os intervenientes na fileira do caju, no sentido de trabalharem em conjunto, para evitar a especulação do preço de referência, tanto que, até ao momento não recebeu queixa ou denúncia da sua alteração. Ele advertiu, entretanto, que qualquer tentativa de adulteração do preço base terá resposta adequada.
Nova divisão administrativa
Do ponto de vista do governador da Região de Biombo, a expansão da cidade de Bissau não deve ser encarada como uma questão simples ou amigável, aliás como tem sido caso até neste momento.
Para ele, o governo, através do Ministério da Administração Territorial e Poder Local, deve redefinir ou fazer uma nova delimitação, tal como está no suplemento de Boletim Oficial de 1997, onde foi definido a expansão da cidade de Bissau.
Nesse boletim, segundo a explicação do Lima, foi clarificado a divisão entre o Setor Autónomo Bissau (SAB) e a Região de Biombo, mas na prática não está a ser respeitado e, tudo que está a ser feito de momento é através do chamado “acordo amigável”, portanto, fora da lei e que a qualquer momento pode ser anulado.
Aldo Lima disse que Biombo precisa de recursos do território que dispõe na lei, porque só com estes que a região pode desenvolver e responder com a expetativa da população.
Alfredo Saminanco
