Reabilitação da estrada Safim/Mpack já está na fase de nivelamento 

Mesmo com obras ainda em curso, a população e as autoridades já começaram a sentir o impacto da intervenção na estrada Safim/Mpack, estando assim reduzido o tempo de viagem de Bissau a Ingoré, o que, certamente, vai facilitar as trocas comerciais, sobretudo na presente campanha de comercialização da castanha de caju.  

Igualmente, está ajudar na melhoria de acesso das populações aos serviços básicos de saúde e educação. Dantes, os alunos residentes, por exemplo, nalgumas aldeias arredores de Bula e Ingoré ficavam horas a espera de transporte, mas agora deslocar sem grandes demoras.

Por outro lado, a reabilitação desse troço vai reforçar a integração regional, além de intensificar as trocas comerciais, facilitando a mobilidde e aproximar essas zonas da capital Bissau. Portanto, trata-se de um importante eixo rodoviário que, historicamente, liga norte da Guiné-Bissau a sul do Senegal.

De acordo com as informações apuradas, o projeto prevê a reabilitação e alargamento de 115 quilómetros (Km) da estrada, com um custo orçado em mais de 200 milhões de euros, dividido em dois lotes.

O primeiro lote tem uma extensão de 45,95 Km, que contempla as localidades de Safim, Bula, São Vicente e Antotinha, e o segundo com 65,5 Km, que inicia de Antotinha a Mpack, Região de Ziguinchor, Senegal.

As obras compreendem a construção da estrada e a reabilitação das pontes Amílcar Cabral (em João Landim) e São Vicente, que incluirá a construção de duas portagens. Em relação a reabilitação da estrada, a executora está, neste momento, a fazer o enchimento e respetivo nivelamento, assim como a construção de aquedutos.  

Agora, já se faz sentir uma relativa mudança na vida da população e da própria administração local, porque além de facilidade de circulação de pessoas e bens, a Secção de Ingoré e o Setor de Bula estão a tornar-se mais atrativos ao investimento.

Em conversa com os trabalhadores da AREZKY, empresa executora, soube-se que as obras de reabilitação desse troço respeitam as medidas do impacto ambiental como a proteção das zonas húmidas e as consideráveis sensíveis, incluindo a reflorestação.

Melhoria de qualidade de vida

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Falando dos ganhos que a construção da estrada Safim/Mpack está a trazer para aquela zona, o administrador do Setor de Bigene, Alfredo Quimatcha, disse que só lhe resta agradecer ao ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, ao governo e aos parceiros internacionais por esse apoio inestimável no quotidiano da população.

Segundo ele, os populares dessas localidades sofrem na pele os transtornos da degradação da estrada. Lembrou que, a bem pouco tempo, viajar para Bissau era o calcanhar de Aquiles, porque levavam três ou quatro horas de viagem, o que é muito dispendioso.

Na explicação de Alfredo Quimatcha, o estado de degradação em que se encontrava a estrada, constituía um pesadelo para a população, porque obstruía a circulação de pessoas e bens.

Essa degradação, de acordo com o administrador, provocava sempre acidentes fatais, ora de camiões, ou de transportes mistos e motorizadas. “Portanto, dada a deterioração acentuada desse troço, o Setor de Bigene estava na eminência de ficar isolado, porque na Secção de Antotinha a estrada quase que estava cortado, agravando ainda mais o transito.

Esta situação, além de criar dificuldade na mobilidade, contribuiu no aumento de preço de transporte, porque os condutores alegam que gastam mais combustível em relação aos tempos atrás.

Segundo sua explicação, esse aumento de preço de transporte gerava uma confusão entre os passageiros e os condutores, mas a população era obrigada a aceitar a imposição, por não encontrar alternativas. 

Reconhece que, mesmo com terra-batida, o tempo de viagem reduziu bastante. “Agora sair de Ingoré para Bissau leva menos de duas horas, contrariamente há uns tempos”.

Assim, Alfredo Quimatcha elogiou a iniciativa da empresa AREZKY em envolver a administração no acompanhamento de todos os trabalhos que estão a ser executados e, graças a essa abertura, tudo está a correr bem, porque todas as pessoas atingidas com as obras foram indemnizadas.

Enquanto responsável, disse que ativou uma equipa de sensibilização que trabalha em colaboração com as comunidades, no sentido de lhes fazer compreender a importância de ceder seus terrenos para a execução dessas obras.

Medidas preventivas

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O administrador do Setor de Bigene, Alfredo Quimatcha, disse que neste momento está a elaborar um conjunto de planos preventivos, que vão ajudar a diminuir casos de acidentes e de delinquência juvenil.

Informou que depois da conclusão das obras, a administração vai trabalhar, em colaboração com todas as instituições estatais sedadas no sector, no controlo e no patrulhamento, de forma a desencorajar a práticas de crimes.

No seu entender, é preciso que, desde já, as autoridades comecem a criar condições de segurança à população e aos investidores. “Ingoré situa-se perto da fronteira com o Senegal, portanto, essa localização geográfica torna a secção mais vulnerável a um eventual ato de crime”.

Em relação à estrada que liga Ingoré a Bigene, Alfredo Quimatcha manifestou-se preocupado com algumas degradações que estão a ser verificadas, que, segundo ele, requer, urgentemente, uma intervenção pontual, caso contraio pode agravar ainda mais.

Segundo sua explanação, o trajeto Ingoré/Bigene, que dantes se demorava mais de três horas e meia, agora é percorrido em apenas uma hora e quinze minutos, permitindo o acesso mais rápido às escolas, aos mercados e aos centros de saúde.

Para o Administrador,  a reabilitação desse troço permitiu, nos últimos tempos, a facilidade no escoamento de produtos  e  na mobilidade das pessoas.

Disse que é uma infraestrutura rodovia de extrema importância, tendo em conta a sua localização, porque é a estrada que liga duas regiões do norte, Cacheu e Oio.

Segundo ele, esse troço está a permitir a dinamização da economia nessas duas regiões, consideradas maiores produtoras da castanha de caju, pelo que a sua reabilitação faz todo sentido.

Secção em crescimento

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Ingoré é uma secção do setor de Bigene, Região de cacheu, localizada no norte da Guiné-Bissau, cuja economia gira em torno da produção de caju, extracção de vinho e óleo de palma, bem como a caça e um pouco de pesca.

O Setor de Bigene tem quatro secções administrativas, pelo que é urgente criar condições para acompanhar a evolução que está a ser registada na zona, porque se não a qualquer momento podem perder controlo de tudo.

O administrador disse que o setor tem sido fustigado com roubo à mão armada e, por isso, apela à colaboração de todos para fazer face às ondas de criminalidade, principalmente na Secção de Ingoré, que está a crescer dia após dia.

Além de diligências que estão a ser feitas para desencorajar crimes na secção, a administração está a trabalhar num plano urbanístico, de forma a evitar, no futuro, construções que violem as normas.

Alfredo Saminanco

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