A Guiné-Bissau, em 2024, as entradas liquidas na conta financeira registaram um forte crescimento, passando de 67.397,9 milhões em 2023, para 90.767,1 milhões em 2024. Esta evolução explica-se, sobretudo pelo aumento das entradas líquidas relativas aos investimentos de carteira, associadas às emissões de títulos de tesouro, que passaram de 64.977,1 milhões em 2023, para 76.292,5 milhões em 2004.
Estes dados foram revelados pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), que procedeu nesta quarta-feira, dia 4, à divulgação de contas externas referente ao ano 2024.
Em relação às exportações de produtos pesqueiros, permanecem baixas, apesar de grande potencial do país nesse setor. No mesmo ano, o valor das exportações de produtos da pesca situou-se em 1.220,1 milhões contra 983,4 milhões em 2023.
Quanto aos produtos agrícolas, continuam a ser dominadas pela castanha de caju. De acordo com as estatísticas oficiais, sem ajustamentos, as exportações desse produto estratégico para economia nacional representaram 87,1 por cento do total das exportações em 2024, contra 89,1% em 2023.
No que se refere ao saldo da balança de transações correntes, composta por bens, serviços, rendimentos primário e secundário, registou uma ligeira deterioração do défice face ao ano anterior, apresentando um défice de 98.065,6 milhões em 2024, contra 97.153,4 milhões em 2023.
No tocante à balança financeira, na ótica do BCEAO, compreende as aquisições líquidas de ativos financeiros e os acréscimos líquidos de passivos financeiros em relação a não residentes. A balança financeira é composta por investimento direto, investimento em carteira, derivados financeiros e outros.
Crescimento económico
Ao presidir o ato de divulgação de contas externas, o Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, revelou que, no plano interno, a economia do país cresceu 4,1por cento em 2024, tendo ainda registado uma evolução positiva ao nível da estabilidade de preços: a inflação média anual desacelerou para 3,5%, contra 7,2% no ano anterior, contribuindo para aliviar as pressões sobre o rendimento real das famílias e para reforçar a estabilidade macroeconómica.

No que concerne às contas externas, segundo o chefe do governo, mantém-se a forte concentração das exportações na castanha de caju, fator que expõe a economia nacional a choques de preços e de procura nos mercados internacionais. Esta realidade evidencia, de forma inequívoca, a necessidade de acelerar o processo de diversificação produtiva e de transformação local da produção agrícola.
Vieira Té destacou os projetos estruturantes que o executivo está a levar a cabo, nomeadamente a construção e reabilitação de estradas estratégicas, visando reforçar a integração territorial e facilitar o escoamento da produção agrícola; a expansão da eletrificação nacional, incluindo a interligação no âmbito da OMVG e o reforço da capacidade de produção e distribuição de energia solar.
A modernização do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, cuja conclusão permitirá reforçar a conectividade aérea e potenciar o turismo e o comércio também faz parte do compromisso das atuais autoridades.
Disse que as perspetivas para os próximos anos são encorajadoras. As projeções indicam um crescimento do PIB real na ordem de 5,5% em 2026, sustentado pela recuperação da atividade agrícola, pelo aumento do investimento público e privado e reforço da confiança dos parceiros internacionais.
Por seu lado, a directora nacional do BCEAO, Zenaida Cassamá, disse que as contas externas, que englobam a Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional, constituem instrumentos analíticos fundamentais, que registam, de forma sistemática e estruturada, o conjunto das transações comerciais e financeiras entre o país e o resto do mundo.
Elas, segundo sua explicação, constituem uma ferramenta estratégica de elevada relevância, permitindo aferir os desafios e as oportunidades, com os quais a economia se confronta num contexto internacional cada vez mais interdependente.
Disse que a sua análise permite avaliar o desempenho económico do país face ao exterior, identificar potenciais desequilíbrios internos e externos e sustentar a formulação de políticas económicas mais consistentes, prudentes e eficazes.
“A jornada de divulgação de contas externas tem como propósito a apresentação dos resultados definitivos da Balança de Pagamentos referentes ao ano 2024, num contexto internacional que permanece marcado por persistentes incertezas geopolíticas e elevada volatilidade dos mercados.
Revelou que os resultados das contas externas da Guiné-Bissau, em 2024, apontam para um saldo global excedentário de 11,3 mil milhões de FCFA, após saldos deficitários de 23,1 mil milhões em 2023 e de 63,8 mil milhões em 2022.
No seu ponto de vista, esse exercício evidenciam uma melhoria significativa da posição externa do país, refletindo, em particular, o desempenho favorável das contas financeiras, com uma evolução positiva das transferências correntes.
Alfredo Saminanco
