O processo de exploração de fosfato em Salquenha, Setor de Farim, Região de Oio, está afetar negativamente a vida da população local, impedindo o acesso à água potável, aos campos agrícolas, construção de novas habitações, assim como a entrada de vários projetos, caso concreto da energia elétrica da OMVG (Organizaçao para Aproveitamento do Rio Gâmbia).
Como se sabe, a exploração desse minério vai abranger uma área de 1250 hectares, podendo afetar 108 campos agrícolas de cerca de 3200 famílias, repartidas em 11 tabancas.
O Nô Pincha apurou que as cinco povoações mais afetadas, nomeadamente Salquenhe-Bá, Salquenhe Porto, Tambató Mandinga, Canicó Lenque-Koroto e Cabsseque serão reassentadas.
Já foi identificado o espaço para o reassentamento dos habitantes dessas tabancas, que fica localizado nas matas de Buré-Danfa, quase junto da linha fronteiriça com o Senegal
Neste sentido, a maior preocupação das populações dessas localidades tem a ver com a falta de uma legislação específica sobre processo de reassentamento.
No entanto, soube-se que a empresa ITAFOS (antiga GB Minerais) concluiu, em 2018, os trabalhos de prospeção e do estudo do impacto ambiental, embora até ao momento não se sabe o que está na origem de não início dos trabalhos.
Falando da situação, o administrador do Setor de Farim, Adji Sow, confirmou que a população das aldeias atingidas está a viver momentos difíceis.

Por isso, disse que não compreende por quê até agora os trabalhos de exploração não iniciaram, uma vez concluídos os estudos de prospeção há vários anos.
“Estamos com grande expectativa de assistir a exploração de fosfato. Eu, enquanto administrador, não tenho nenhuma informação sobre o atraso do arranque dos trabalhos”, salientou.
Quanto ao processo de reassentamento, Adji Sow lamentou o transtorno que esta situação está a causar as famílias, porque tem travado vários projetos e iniciativas de desenvolvimento das comunidades. “Pessoas querem construir novas casas mas estão reticentes quanto ao futuro das aldeias”.
Segundo sua explicação, a população está a perder paciência em relação à decisão que proíbe novas construções e alargamento de campos agrícolas.
Falta de clareza
O Comité de Salquenhe Porto, Quintino Tchuda, acusa as autoridades nacionais e a empresa ITAFOS de falta de clareza no processo de indemnização e de reassentamento, porque no seu ponto de vista, antes de empresa avançar com qualquer trabalho, primeiramente, deve proceder ao recenseamento de famílias, mas até então não foi feito nenhum trabalho nesse sentido.
Assim, pediu o envolvimento do governo, no sentido de ajudar a população, porque a situação está a ser insuportável, com consequências negativas para as famílias.
Em relação ao novo espaço identificado, o comité disse que não concorda com o local, porque, segundo ele, é muito longe da cidade de Farim e, também, situa na zona onde a qualquer momento pode sofrer ataque dos rebeldes ou dos ladrões.
Sendo assim, preferia que a empresa entregasse a cada família o dinheiro de acordo com o levantamento feito, para que cada um providenciasse o local que entender melhor.
Entretanto, segundo dados da prospeção, a mina do fosfato conta com uma reserva de cerca de 120 milhões de toneladas e a sua exploração deverá decorrer por um período aproximadamente de 30 anos.
Alfredo Saminanco
