O serviço de táxi-moto, no Setor de Mansoa, Região de Oio, facilita a mobilidade não só no centro da cidade, como também nos bairros arredores e tabancas mais longínquas. Porém, os passageiros não se sentem seguros ao longo da viagem, denunciando o excesso de velocidade e manobras perigosas.
A revelação foi feita pelos citadinos ao Jornal Nô Pintcha, que esteve no coração da cidade de Mansoa, concretamente na via que dá acesso a Mansabá, frente ao mercado central, onde se regista muita movimentação.
Nesse vai e vem, sobretudo no período de manhã, assiste-se violações graves do código de estrada. Os táxi-motos transportam pessoas com lotação a mais, preocupando-se apenas em ganhar dinheiro.
Outras infrações perigosas que cometem têm a ver com a condução sem capacete, nem carta de condução, que permitiria ter noção básica do código de estrada.
O Nô Pintcha constatou que muitos circulam em contramão, desrespeitando o código de estrada, sem mínima preocupação com a vida dos passageiros e peões.
As motorizadas mais usadas para esse serviço são TVS Star e Jakarta que, dadas suas caraterísticas, não garantem segurança e nem têm capacidade para transportar dois passageiros. Além do mais, não oferecem estabilidade aos utentes, nem para o condutor muito menos para os passageiros.
Interpelado pelo Nô Pintcha, Abulai Tchentchalam, moto-taxistas, reconheceu que muitos dos seus colegas conduzem mal e fora da regra de condução. Violam constantemente, além de, muitas das vezes, colocar em risco as suas próprias vidas e dos passageiros.
Assim, aquele motoqueiro apelou às autoridades reguladoras de estrada, no sentido de disciplinar as vias rodoviárias, com o intuito de acabar com a desordem, pois, só assim é que se pode diminuir acidentes, que têm resultado em perda de vidas humanas.
“Não basta só saber dirigir uma moto para ser taxista. Na minha opinião, quem faz esse serviço deve ser uma pessoa tranquila, responsável e credenciada pelos serviços de Viação e Transportes Terrestres e, ainda, munido de carta de condução de moto, com o mínimo de um ano de experiência”, disse.
Críticas, conselhos e agressões

Abulai Tchentchalam critica o comportamento de alguns condutores dos transportes mistos (candongas), que considera de grave, pelo facto desses “não considerarem motorizadas como meios de transporte”.
“Acontece que, mesmo que os motoqueiros tenham prioridade, como manda o código, os motoristas não nos cedem esse direito. Isso é gravíssimo na condução, porque pode causar acidentes violentos”, alerta o motoqueiro.
Igualmente, dirigiu críticas aos agentes da Polícia de Trânsito e os serviços de Viação, que “incomodam”, e de que maneira, os motoqueiros, aplicando multas exorbitantes à margem da lei.
Por outro lado, Tchentchalam aproveitou a oportunidade para aconselhar os seus colegas a pressionarem os patrões para regularizar os documentos das motos, até porque o Governo de Transição está a colaborar neste sentido, dando tréguas nas estradas para que os proprietários possam regularizar os seus documentos.
Questionado se tem havido furtos, roubos ou agressões por parte dos passageiros, aquele motoqueiro disse que essa prática é frequente, principalmente no período da noite.
“A circulação à noite é mais arriscada. Às vezes, os ladrões disfarçam-se de passageiros, mas bem armados, com catanas, arma branca e paus”, denunciou.
Quotidiano das mulheres
Algumas mulheres, em Mansoa, dedicam-se a produção agrícola e horticultura, ajudando os maridos no sustento da família, assim como na saúde e educação dos filhos.

No entanto, o repórter do Nô Pintcha visitou alguns campos hortícolas, situados nas proximidades do Rio Mansoa e outros que ficam no interior da Escola do Ensino Básico Complementar “Indira Gandi”. Nesses lugares, foi possível constatar que as produtoras enfrentam enormes dificuldades.
Alias, deparam-se com a escassez de água nos campos, falta de vedação, ficando os espaços expostos a animais daninhos.
Outra dificuldade tem a ver com a limitação de meios materiais, trabalhando sem apoio da administração local, nem das organizações não-governamentais sediadas sedeadas na região.

Nhina Djata, horticultora de 63 anos de idade, confirmou ao Nô Pintcha que estão a atravessar uma vida dura, ou seja, vivem numa “situação de extrema pobreza”.
Explicou que muitas dessas mulheres são responsáveis para o sustento da família, assumindo a alimentação das crianças, o pagamento de propinas, bem como o encargo com saúde dos filhos, o que lhes tem custado grandes sacrifícios no trabalho do campo.
Para minimizar esse sacrifício, apelou ao governo e os parceiros de desenvolvimento a prestar apoios às mulheres para poderem trabalhar e obter mais resultados.
A água canalizada para a irrigação dos perímetros, a vedação dos campos para evitar a entrada de animais, sementes de qualidade e produtos que eliminam os bichos que atacam os legumes, são as principais necessidades elencadas por essa horticultora.
Ao conseguirmos esse apoio, segundo Djata, certamente vai aumentar a produção e, por conseguinte, reduzirá significativamente a importação de legumes.
Por outro lado, Nhima Djata falou de outras preocupações relacionadas ao furto de legumes nos campos por parte de jovens delinquentes. ” Frequentemente roubam grande quantidade de legumes, o que nos desmoraliza bastante”.
Educação
O repórter do Nô Pintcha conversou com o inspetor da educação do Setor de Mansoa, sobre a situação das crianças no sistema educativo.
Pedro Francismo Miguerenes afirmou que no presente ano letivo, poucas crianças ficaram fora do sistema escolar, devido ao engajamento dos pais e encarregados de educação, que têm mobilizado fundos para a construção de infraestruturas nas tabancas, além de assumirem o pagamento dos subsídios aos professores.

Questionado sobre as condições físicas das infraestruturas escolares, disse que a maioria das que existem no setor encontra-se num estado de degradação, principalmente as construídas nas tabancas.
“Os pais e encarregados de educação estão a colaborar bastante com o Ministério da Educação para a resolução desse problema, contribuindo para a manutenção dos edifícios escolares em degradação”, reconheceu.
Relativamente à insuficiência de professores, aquele responsável confirmou que, realmente, no setor de Mansoa regista-se falta de docentes, sobretudo nas tabancas mais distantes.
“Mesmo assim, houve esforços por parte do Ministério da Educação na busca de soluções para colmatar essas lacunas, enquanto os pais e encarregados de educação das crianças colaboram na contratação dos professores comunitários, pagos pela própria comunidade local”.
Diligências
No que toca à falta de materiais didáticos, nomeadamente carteiras e outras condições de trabalho para alunos e professores, Francismo Miguerenes confirmou essas carências, sobretudo nas escolas construídas pela população local. Contudo, garantiu que o governo, através do Ministério da Educação, está a diligenciar para a resolução do problema.

Igualmente, o Nô Pintcha visitou o Liceu “Quemo Mané”, em Mansoa, onde conversou com um dos responsáveis daquele estabelecimento escolar, que não quis identificar-se. Disse que, na zona, o ensino enfrenta desafios significativos, nomeadamente a reabilitação das infraestruturas precárias, falta de professores, materiais e ainda o acesso limitado de crianças, particularmente ao ensino secundário e superior, não obstante o crescimento populacional.
“É urgente construir mais escolas e centros de formação, sobretudo nas zonas rurais, mas os recursos são insuficientes. Isso é complicando para o desenvolvimento, mas há que haver esperança e persistência”, concluiu.
Fulgêncio Mendes Borges
