A delinquência juvenil está a aumentar de forma acelerada, nos últimos anos, no Setor de Bula, onde se regista desvios de normas, comportamentos e padrões socias, que permitem uma convivência saudável na sociedade.
Falando da situação, o presidente do Conselho Setorial da Juventude de Bula, Inácio Bacurim, disse que atualmente é frequente a prática excessiva de roubo, assalto à mão armada, consumo de drogas, alcoolismo e até mesmo homicídio, ultrapassando todos os limites.
Para ele, estas práticas começam, muitas vezes, com furto de pequenas somas de dinheiro em casa, e pouco a pouco ganha força fora do circuito familiar, e mais tarde o protagonista transforma-se em grande ladrão.
Segundo Inácio Bacurim, além desses fatores, também há situações que influenciam essas práticas, como a pobreza extrema, falta de emprego, escolas de formação e desigualdade social. Perante esta realidade, os jovens acabam por entrar em delírio.
Criação do conselho
Inácio Bacurim disse que o motivou da criação do conselho foi exatamente para ajudar as autoridades no combate à delinquência juvenil no setor, porque, segundo suas palavras, uma pessoa ou uma entidade sozinha, mesmo tendo meios, vai ser difícil enfrentar esse fenómeno, pois, foi nessa logica que entenderam juntar-se numa única organização para ajudar no sentido de mitigar atos de criminalidade no setor.
Informou, no entanto, que desde a criação dessa organização, todos os problemas do setor passam a ser tratados a nível daquela estrutura.
Para diminuir a prática desses crimes, o presidente do conselho disse que a sua organização tem desenvolvido séries de atividades, entre as quais, campanha de sensibilização, jornadas culturais e desportivas, tudo no sentido de mostrar o perigo que esses males constituem para a sociedade.
Além dessas atividades, segundo Inácio Bacurim, também ajudamos na limpeza e na remoção de lixo, e graças a essa colaboração com as autoridades administrativas, conseguimos transformar Bula numa cidade minimamente limpa.
Porém, lamentou a fraca aderência dos jovens na organização e nas atividades, “mas enquanto jovem e responsável não posso baixar a cabeça, porque se o fizer, centenas de colegas vão continuar a sofrer”.
“Com a participação ou não dos colegas não podemos baixar braço, porque esta sociedade precisa de ser moralizada e, para que isso aconteça, é preciso sermos determinados naquilo que fazemos, caso contrário estaremos, nós mesmos, a contribuir de uma forma indireta na distorção dos valores morais e éticos”, assegurou.
No seu ponto de vista, o aumento da delinquência juvenil nos últimos anos assenta na degradação da base de famílias e na quebra de certos princípios, que, hoje em dia, torna difícil de edificar.
“A família deve continuar a jogar o seu papel na educação dos filhos, porque é lá que começa a responsabilidade. Um outro fator tem a ver com a escola, que, também, deixou de desempenhar a sua missão de educar e orientar”, salientou.
Para combater a criminalidade e delinquência juvenil, o presidente do Conselho Setorial de Bula disse que a sua organização adotou uma estratégia de passar em cada escola nos dias de aniversário para falar com os alunos sobre a importância da escola na sociedade e da desvantagem de consumo de estupefacientes e álcool.
Autoemprego

Inácio Bacurim disse que maioria de jovens em Bula vivem da agricultura, pesca, caça e pequenos negócios. Hoje, apesar de riscos, surge um outro mercado, que é de moto-taxi, tido como uma das alternativas do emprego jovem.
A seu ver, o culpado de toda esta situação é o próprio Estado, que nunca pensou numa política de emprego e nem na instalação de centros de formação no interior do país. “Perante este facto, os jovens são obrigados a recorrer a qualquer meio para sobreviver”.
Disse que o setor está com a insuficiência de escolas de formações técnico-profissional. “Tenho colegas com quem estudei no liceu, mas como não têm condições de continuar os estudos, ficaram aqui sem oportunidades de formação, mas se houvesse escolas vocacionadas, certamente não seria assim”.
No que toca ao consumo de drogas e bebidas alcoólicas, Bacurim disse que as autoridades devem assumir a sua responsabilidade no controlo da venda e consumo desses produtos.
Alfredo Saminanco
