Cimeira Rússia-África: uma boa oportunidade para impulsionar relações bilaterais entre Moscovo e Bissau

Nos dias 28 e 29 de outubro, na cidade de Moscovo, capital da Rússia, está a decorrer o maior evento no âmbito da parceria russo-africana: a Cimeira Rússia-África. Uma parte importante dela é o Fórum Económico e Humanitário. Ao longo de muitas décadas, o Estado Russo tem sido um aliado de África, apoiando os países do continente na sua luta pela independência, defendendo sistematicamente os direitos dos povos à autodeterminação e combatendo as manifestações do neocolonialismo em todas as suas formas.

Este fórum do mais alto nível já se tornou uma tradição – este ano, realiza-se pela terceira vez. Pelo lado russo, estarão representados não só organismos estatais e grandes corporações, mas também empresas que operam na área das altas tecnologias, incluindo aquelas localizadas em Moscovo – líder do nosso país em termos de desenvolvimento tecnológico de ponta.

O foco deverá recair nas áreas mais prioritárias para o continente africano – infraestruturas urbanas e fabricação de equipamento médico. Também será dado um lugar de destaque à demonstração dos avanços africanos e das oportunidades que se abrem no continente, tanto para os parceiros russos como para os próprios Estados Africanos, permitindo-lhes conhecer melhor o potencial uns dos outros.

Entre toda a diversidade dos países africanos, a Guiné-Bissau ocupa um lugar especial para a Rússia. Consideramos, com toda a razão, a República como um parceiro próximo e amigo. Estamos gratos aos nossos colegas da Guiné-Bissau pelo seu apoio firme às abordagens russas em plataformas internacionais num grande número de questões, bem como pelo elevado nível de cooperação, tanto nos assuntos internacionais em geral, como no desenvolvimento das relações bilaterais.

Estas tendências positivas refletem-se também no facto de os encontros entre altas personalidades dos dois países se terem tornado mais frequentes e produtivos. Entre eles, assumiu um lugar de destaque o encontro entre os Ministros dos Negócios Estrangeiros Sergei Lavrov e Fatumata Jau, em julho de 2026, em Moscovo.

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As relações entre a Rússia e a Guiné-Bissau seguem sempre avançando. Cada vez mais intensa fica a interação nas esferas científica e humanitária, bem como na área da formação de quadros. A cooperação no domínio da educação tem sido, tradicionalmente, uma prioridade para ambos os Estados. Já foram formados nas instituições de ensino superior russas milhares de estudantes guineenses.

Este processo educativo remonta ainda à época da União Soviética. E, nos últimos tempos, tem vindo a ganhar um ritmo acentuado. O âmbito dos programas de ensino está a alargar-se significativamente, tanto em termos do número de cidadãos guineenses a estudar na Rússia, como das áreas de estudo.

Nos últimos 10 anos, o número de bolsas de estudo atribuídas aos guineenses aumentou de 20, em 2014, para 99, em 2026. Além dos vencedores dos concursos de bolsas de estudo, muitos estudantes frequentam as universidades russas a conta própria. É possível estudar no nosso país através de programas de olimpíadas universitárias.

Ressaltamos que o processo de seleção de estudantes estrangeiros para formar-se na Rússia é, sem dúvida, um dos mais transparentes. Nele participam ativamente organizações locais, tais como o Centro Pushkin. Manifestamos-lhes a nossa mais sincera gratidão.

Torna-se cada vez mais intensa a cooperação na área da formação e especializaсão de profissionais, no âmbito de várias agências governamentais.

Observa-se também um aumento progressivo da cooperação na área humanitária. Desde Novembro de 2025, Bissau recebeu a visita de várias organizações russas, como o «Corpo Humanitário Internacional», que pretende desenvolver aqui as suas atividades na zona de «Pequena Moscovo», bem como o «Centro de Diplomacia Popular». Pela iniciativa deste Centro, Herculano Mendes, Magnífico Reitor da Universidade Amílcar Cabral, deslocou-se, em agosto deste ano, à cidade de Novosibirsk, onde assinou acordos de cooperação com cinco estabelecimentos do ensino superior russos.

Está na agenda o festival de ciência e artes «Eu amo a Rússia» que se pretende organizar em Novembro pela Universidade Pedagógica Estatal de Yaroslavl. Para o efeito, será utilizada a sede do acima referido Centro Pushkin.

Um dos pilares da cooperação bilateral é o trabalho para dinamizar a interação económica. Atualmente, está mais avançada no domínio da exploração de recursos minerais. Nesta área opera a empresa russa «RUSAL», que está a preparar o lançamento de um projeto em grande escala.

No entanto, o potencial das relações comerciais russo-guineenses é muito vasto e não se limita apenas às questões relacionadas aos recursos naturais. Tanto a própria Cimeira Rússia-África como o seu Fórum Económico e Humanitário têm como objetivo explorar as mais diversas possibilidades. Neles serão abordados o diálogo industrial Rússia-África, parceria no setor dos transportes, cooperação agroindustrial, utilização da plataforma BRICS como catalisador da colaboração empresarial russo-africana e outros temas.

É importante que todas as oportunidades sejam aproveitadas ao máximo.

A Redação

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