Autoridades do Setor de Bigene comprometidas com sucesso da campanha de caju

Dada a sua localização geográfica contígua à linha fronteiriça com o Senegal, o Setor de Bigene, na Região de Cacheu, continua a ser zona de grande fuga da castanha de caju para o país vizinho, situação que levou as autoridades locais a delinear estratégias para evitar o seu contrabando.

A propósito, o administrador de Bigene, Alfredo Quimatcha, promete trabalhar, em colaboração com as entidades intervenientes na fileira de caju para garantir uma boa campanha de comercialização desse que constitui o produto estratégico para a economia nacional.

Quimatcha disse que reuniu-se com os responsáveis locais do Ministério do Comércio, das Finanças, da Guarda Nacional, da Polícia da Ordem Pública, das Alfandegas, assim como os comités de tabancas, produtores e comerciantes, da qual se traçou um plano de fiscalização.

No encontro, segundo o administrador, foi abordado a questão da fuga da castanha para o Senegal, situação que deve ser encarada como um desafio não só para as autoridades locais, mas também para todos, porque trata-se de um assunto de interesse nacional.

Nesse sentido, Alfredo Quimatcha promete continuar a promover encontros de sensibilização com os produtores para mostrá-los os riscos que o contrabando da castanha de caju para Senegal pode acarretar para a economia nacional e não só, como na melhoria da vida das populações camponesas.

Ele lembrou que em 2024 houve fuga da castanha em grande quantidade para a vizinha República do Senegal, o que obrigou, no ano seguinte, que fossem tomadas medidas necessárias para pôr cobro a prática. Ele confirmou que este ano essa mesma estratégia vai ser reforçada.

O administrador garantiu que haverá maior controlo nos “caminhos de contrabando” e qualquer tentativa de fuga terá resposta adequada, porque o objetivo é de acompanhar o Governo na luta para o crescimento económico do país. 

“Todo o mundo está mobilizado em ajudar nos trabalhos da fiscalização. Nesse momento preparamos alguns jovens que estão a auxiliar as autoridades locais no controlo da fuga clandestina da castanha de caju”, sublinhou.

Disse que os trabalhos da fiscalização, embora sejam difíceis devido ao comportamento dos próprios produtores, as autoridades vão trabalhar para que a campanha seja um sucesso.

O administrador informou que as operações da fiscalização vão ser associadas com a campanha de sensibilização com vista a mudança do comportamento das pessoas, afirmando que espera que esta nova estratégia dará resultados satisfatórios, justificando que a grande parte da população já começa a perceber do prejuízo que a fuga da castanha tem vindo a causar.

Quimatcha defende ainda a criação das condições mínimas para os agentes da Guarda Nacional, da Polícia da Ordem Pública e dos próprios fiscais do Ministério do Comércio, para fazerem face aos infratores, que dispõem de meios de transportes.

 “Imagine, são os chefes das tabancas que na maioria dos casos assumem quase a logística desses agentes no posto do controlo e perante esta realidade torna-se difícil exigir melhores resultados, por isso, queremos a intervenção do Governo, o mais rápido possível, na resolução dessa situação”, explicou.

Além de postos de controlo montados na linha da fronteira, também está em curso a criação de brigadas móveis para ajudar na fiscalização, porque as vezes os produtores quando sabem que um determinado caminho está sob controlo, arranjam vias alternativas, embora com a equipa móvel consegue-se descobrir essas vias.

Produtores satisfeitos com preço

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O presidente da Cooperativa Agrícola “Buwondena”, da Secção de Ingoré, António Pereira Batista, disse que o preço base fixado pelo Governo para a comercialização da castanha de caju é muito bom.

Segundo ele, depois da fixação do preço, o executivo foi explícito em detalhar a margem para os intermediários de negócios e valor tributário para a exportação, o que mostra a vontade política das atuais autoridades.

Para António Pereira Batista, dado o contexto que o mundo vive, 410 francos CFA é um preço razoável, razão pela qual apela aos produtores a venderem as suas castanhas em função da colheita, o que quer dizer, para não a guardarem à espera de melhores preços.

“Na medida em que aparece um comprador, é bom vender a castanha. É nesse sentido que este ano a nossa cooperativa vai desencadear uma campanha de sensibilização junto aos associados, para evitar os prejuízos posteriores de sempre”, sublinhou.

No seu entendimento, o Governo já cumpriu a sua parte, em fixar o preço base, agora cabe aos agricultores autodefenderem os seus interesses. Mesmo assim, o presidente da cooperativa promete acompanhar o desenrolar da campanha “porque a produção de caju dá muito trabalho”.

Segundo a sua explicação, na recolha de um quilo da castanha de caju, pode ser gasto o valor aproximado de 150 a 200 francos e fazendo as contas, os produtores ganham pouco dinheiro na campanha de comercialização.

“Neste momento, no quadro de um projeto, estamos a trabalhar com os agricultores para melhorar a produção e a qualidade da castanha. Portanto, com base nisso, estamos a dar formação às diferentes estruturas da nossa associação”, rematou.

Conflitos de posse da terra

Alfredo-Quimatcha-administrador-do-setor-1 Autoridades do Setor de Bigene comprometidas com sucesso da campanha de caju

O administrador do Setor de Bigene disse ao Nô Pintcha que o conflito de posse da terra, que há uns anos foi controlado, começa a ressurgir na zona da fronteira.

Na sua explicação, as autoridades setoriais já receberam queixas de invasão de cidadãos nacionais ao território senegalês, situação que está a ser tratada ao nível administrativo dos dois países vizinhos.

Disse que internamente também está a aumentar a disputa de terrenos entre as tabancas e famílias, situação que segundo ele, deve ser travada antes que seja tarde. “Enquanto responsável do sector estou a trabalhar na mediação das partes para evitar os possíveis envolvimentos”.

Alfredo Quimatcha disse que a fonte de conflito está relacionada com a divisão na linha da fronteira de campos agrícolas, o que deve merecer, não só a preocupação das autoridades administrativas, mas do Estado no seu todo.

No seu ponto de vista, enquanto o cultivo do caju continua a dominar a prática agrícola, sem sombra de dúvida, a disputa de terras também vai aumentando, fato que impõe urgente implementação da Lei da Terra, para evitar de futuros conflitos.

Corte da madeira

Sobre a suposta denúncia da corte da madeira, o administrador do Setor de Bigene confirmou que houve falha ou usurpação de competências por parte do Ministério da Agricultura, em autorizar algumas pessoas a fazer cortes na sua área de jurisdição, sem conhecimento das autoridades setoriais.

Segundo ele, depois de várias denúncias, ele interpelou as pessoas que foram concedidas tais licenças para melhor esclarecerem a situação e foi daí que ele teve conhecimento de que foi a Direção-Geral das Florestas e Fauna que autorizou a corte e de imediato convocou o delegado local da Floresta para solucionar o assunto.

De acordo com o Alfredo Quimatcha, neste momento as autoridades setoriais conseguiram estancar a situação da corte da madeira que estava sendo praticada na zona. Segundo as suas palavras, as pessoas que foram concedidas as licenças tinham só que recolher os sachos de madeira, mas aproveitaram fazer novas cortes e é isso que motivou a suspensão de todas as suas atividades.

Alfredo Saminanco      

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