Neste momento, a Guiné-Bissau está a coordenar a comunidade estrangeira residente no Burquina Faso e, em todas as atividades em que participa, leva a promoção da cultura, gastronomia, do pano de pente guineense, entre outros.
A informação foi avançada pelo secretário executivo da Associação dos Guineenses Residentes no Burquina Faso (ABG-BF – sigla em francês, que significa Associação de Bissau-Guineenses no Burkina Faso), durante uma entrevista ao jornal Nô Pintcha, concedida em Ouagadougou, em setembro último.
Outro dos objetivos da organização, segundo Totas António João Correia, é o de ajudar a integração dos guineenses na sociedade burquinense.
Fez saber que a ABG-BF está composta por três componentes de associados, a saber: funcionários expatriados, estudantes e migrantes. E comemora todas as festas guineenses, nomeadamente a data da independência nacional, o carnaval, o 1º de Maio, entre outras.
Esse dirigente associativo, que é também funcionário da UEMOA, destacou o papel da organização no apoio prestado aos estudantes recém-chegados ao país e que se deparam com dificuldades, quer em termos académicos, quer a nível social.
Em termos académicos, disse que a associação tem ações de reforço de capacidade no domínio de Matemática, Física, Química, Francês, Inglês, entre outros.
Documentação
Totas João Correia dá conta que por vezes a sua organização depara-se com a situação de migrantes da Guiné-Bissau que estão de passagem à procura de outras paragens, cuja maioria não dispõe de documentação, e solicitam o apoio da associação para o efeito.
Neste sentido, informou que, através da ABG-BF, recentemente, uma equipa dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça esteve em Ouagadougou para tratar de documentação (registos de nascimento e passaportes) dos guineenses aí residentes. “E isso foi muito importante, pelo que aproveitamos o jornal Nô Pintcha para, mais uma vez, agradecer às nossas autoridades por essa colaboração”.
De acordo com o secretário executivo, a ABG-BF conta, atualmente, com mais de 50 associados inscritos, mas garantiu que o número dos guineenses que vivem naquele país da África Ocidental ultrapassa uma centena.
“Somos um modelo aqui no Burquina Faso. Somos uma comunidade reduzida e muito coesa. Temos os nossos estatutos, regulamento interno e já legalizámos a associação desde 2022”, explicou, adiantando que é nessa ótica que estão já a preparar para ajudar os seus colegas do Togo.
Por outro lado, relatou as “excelentes relações” com a Embaixada da Guiné-Bissau em Dakar, assim como o cônsul do país na capital burquinense. “Está sempre aberto a ajudar”.

Entretanto, Totas Correia destacou o papel preponderante jogado pelo atual comissário da Guiné-Bissau na União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), Mamadu Serifo Jaquité, na dinamização da associação, a quem endereçou palavras de louvor pelo seu esforço.
Antes de Jaquité, conforme explica Totas Correia, houve pessoas que também dedicaram as suas energias para que a organização tenha vida, tais como os falecidos Ibrahim Dieme (ex-comissário na UEMOA) e Augusto Mendes (antigo presidente do Tribunal da UEMOA), e aproveitou para prestar homenagem às duas figuras.
Apoio às autoridades
Quem também falou sobre a ABG-BF foi, precisamente, o comissário na UEMOA que, tal como o secretário executivo, disse que um dos objetivos da organização é de aglomerar imigrantes do país residente no Burquina Faso para participarem no apoio às autoridades locais.

Mamadu Serido Jaquité adiantou que a ABG-BF contribui na resolução de alguns problemas sociais. Citou como exemplo, a participação em campanhas de doação, e foi nesse quadro que a associação apoiou, com dinheiro e bens materiais, aos deslocados das zonas em conflito naquele país, gesto que as autoridades burquinenses registaram “com muito agrado”.
Igualmente, informou da realização de uma campanha de doação junto aos orfanatos, mas esclareceu que essas contribuições não querem dizer que dispõem de muitos meios, apenas desejam participar em apoios de acordo com as suas possibilidades.
“Às vezes, organizamos torneios desportivos em que participam outras comunidades estrangeiras residentes no país. Organizamos também atividades comemorativas das datas importantes do nosso país”.
Ainda em relação às ações levadas a cabo, Jaquité reafirmou que a associação tem ajudado alguns estudantes bolseiros, que chegam com o apoio da UEMOA. “Quando alguém tem dificuldades, independentemente da sua bolsa, a associação disponibiliza fundos neste sentido e, às vezes, paga professores para ajudar na superação em diferentes áreas de ensino”.
Noutra vertente, deu a conhecer que um dos segredos da união é o facto de se interditar assuntos político-partidários no seio do grupo, embora cada um possa ter o seu partido.
A Associação dos Guineenses Residentes no Burkina Faso foi criada no dia 22 de novembro de 2022.
O mandato de cada direção dura três anos. Atualmente, o grupo está a ser presidido por Luísa Dias, que substituiu no cargo, o primeiro presidente, Roberto Alexandre Vieira.
Ibraima Sori Baldé