Meteorologia recomenda consumo de mais água e uso de variedades precoces na agricultura

A subida da temperatura nos últimos dias, em resultado do aparecimento do fenómeno meteorológico El Niño, preocupa muita gente. Na Guiné-Bissau os efeitos já se fazem sentir na presente temporada com intervalos, um pouco longos, entre alguns dias de precipitação.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Nô Pintcha, o diretor da Rede de Observação Meteorológica e ponto focal de Previsão Climática Sazonal, Cherno Luís Mendes, chamou a atenção aos cidadãos que vivem no país para, na situação de mais calor, consumirem mais água para evitar da sua hidratação, e recomendou aos camponeses o uso de variedades precoces (sementes de ciclo curto) na agricultura.

O meteorologista afirmou que o fenómeno aumentou a temperatura das águas superficiais de todos os oceanos, um facto inédito que, por isso, constitui uma situação excecional e tem a sua repercussão a nível dos continentes.

“O oceano é o regulador do clima para a parte terrestre. Com o fenómeno El Niño estamos a registar uma subida galopante da temperatura nos últimos tempos. Essa situação preocupa a Organização Meteorológica Mundial (OMM), inclusive às Nações Unidas, porque irá trazer alguns problemas”, sublinhou aquele responsável.

Confirmou que nas previsões feitas este ano, referentes a zona, houve dificuldades na indicação qual poderia ser o sinal em termos de chuva para a Guiné-Bissau e a nível regional. “Nenhum sinal apareceu que nos permitisse situar em que categoria poderíamos ficar em termos de quantidade de chuva durante o período sazonal. Foi isto que nos limitou a dar categoria e balizamos a dizer que este ano haverá chuva normal”.

Aquele responsável acrescentou que, normalmente, se houver aquecimento no Oceano Pacífico (El Niño) a Guiné-Bissau sempre espera ter chuva. O aumento da temperatura, este ano, em todos os oceanos, inclusive no Atlântico, pode favorecer para que se tenha alguma precipitação a nível da sub-região, mas podendo ser observado alguns intervalos prolongados entre alguns dias de chuvas.

Já no país, desde a intensificação das chuvas houve paradas nalguns dias, conforme a previsão feita na restituição que a Meteorologia fez sobre secas prolongadas de chuvas no decorrer do período sazonal.

A previsão apontou que este ano, é possível que a chuva termine mais cedo, comparativamente ao período habitual, o que significa dizer que o tempo chuvoso poderá também terminar de forma brusca.

“Lançamos apelo aos nossos camponeses, no sentido de seguirem os resultados das previsões que fizemos para este ano”, aconselhou Cherno Luís Mendes, que mais em frente pediu aos agricultores a respeitarem o calendário cultural.

“Se teremos um período curto de chuvas, temos que saber usar as variedades de ciclo curto. Se usarmos variedades de ciclo longo, a chuva poderá parar antes do tempo da colheita e isso provocará estrago na lavoura. Daí, recomenda-se o uso de variedades precoces”, sintetizou.    

Sobre esse problema, uma vez que ele está ligado a um fenómeno natural, Luís Mendes disse que as pessoas têm apenas que cautelar. “Não temos como remediar essa situação. Para a sua adaptação, as pessoas têm que ser mais cautelosas, consumindo muita água para recompensar a hidratação (perda do líquido no corpo). Devemos prestar muita atenção às crianças que não sabem pedir água para beber, assim como os idosos e doentes graves, portanto as camadas vulneráveis”.

De salientar que a subida da temperatura provocou, nos últimos dias, uma onda de calor na Europa, maior inundação em Nova Deli (Índia) dos últimos 40 anos e causou mortes nos Estados Unidos da América.

Bacar Baldé

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