Responsáveis de jardins deploram falta de segurança e roubos de plantas

A maior dor de cabeça dos jardineiros centra-se no aspeto da segurança dos seus viveiros, porque sofrem perdas incalculáveis, resultantes de roubos constantes de plantas, principalmente no período da noite.

A instalação de jardim comercial no país exige-se do jardineiro um esforço extra, que vai além de busca de um espaço ideal aprovado pela Câmara Municipal de Bissau (CMB) e consequente obtenção da documentação necessária.

O processo de legalização é dispendioso e difícil de tratar seus documentos, tendo em conta a colisão de prioridades, em muitas ocasiões, entre associação de jardineiro e CMB em relação à instalação de jardim comercial numa avenida bem movimentada e, muitas vezes, a edilidade tem outro projeto para referido espaço.

Entretanto, o motivo pelo qual a maioria dos jardins onde o Nô Pintcha passou não tem pessoal de segurança deve-se à redução drástica da procura de plantas desde o período em que se iniciou a pandemia da Covid-19.

As aquisições de plantas e insumo custam muito dinheiro pois os membros da associação negociam três pedaços de certos tipos de plantas podados a preço que oscila entre 100 a 150 francos CFA, como é caso deCrótone devido às várias vicissitudes alguns não sobrevivem ao processo de transplante.

Apesar disso, os preços dos sacos plásticos apropriados para a prática de canteiros são elevados e varia entre 2500 francos CFA ou mais por pacote, enquanto o outro de porte maior custa 100 francos CFA a cada.

Assim sendo, na perspetiva de poupar um bocado de economia dos fundos angariados, os associados dessa organização recorrem a aquisição de sacos plásticos de água de 50 francos CFA vazados um pouco por todo lado. 

Um outro pormenor caricato mas que os jardineiros são obrigados a aceitar devido à preservação do bom nome da empresa, tem a ver com as reclamações dos clientes pelas eventuais mortes de plantas compradas.

Aliás, a plantação de árvore requer o respeito de uma técnica específica e que o grosso número de clientes não conhece, facto que leva a morte de muitos viveiros.

Como forma de reduzir números de reclamações, a referida organização assume deslocar um técnico para residência dos clientes interessados a fim de executar os trabalhos de plantação. 

O Nô Pintcha apurou que o período mais árduo de laboração desses jardineiros é na época seca onde são obrigados a ficar de plantão durante muitas horas, esperando pela água da torneira e acabam regando mesmo a noite até de madrugada.

Essas empresas de jardinagem no país, na sua maioria, empregam número considerável de jovens e adolescentes em idade escolar, o que demonstra o quanto aquela associação tem vindo a contribuir na redução da delinquência juvenil.

Em relação às vendas de plantas, nosso repórter constatou que os preços variam consoante os tipos solicitados, mas não ultrapassam os sete mil francos CFA.

Por conseguinte, neste período as vendas caem significativamente e houve até dia em que não é comprado uma única planta sequer e voltam para casa de mãos vazias. Não obstante, o imbatível ritmo de procura de planta de coconote, de limão e um bocado de plantas residenciais.

Os viveiros pertencentes à associação dispõem de seguintes espécies de plantas׃ Cróton, coconote, palmeirinha, Isaura, orelha-de-rato, figo, pé de sombra, limonada, limão cravo, limão de terra, limão francês, laranja, mandarina e tranjalina, pingo de ouro, cachorrinha, coror cristo, chapen, defenberg, banana lek, tapete, brinco de ouro, planta rasta, planta leite, pinhas, goiaba, palmeira de granja, abacate, coconote, cintinela, palmeira cumpô e palmeira bambue entre outras.

A nossa reportagem falou com o presidente da Associação dos Jardineiros da Guiné-Bissau (AJGB), que afirmou que a vida laboral de um jardineiro profissional é acompanhada do desenvolvimento arquitetónico do país, isto tendo em conta ao embelezamento das praças públicas com espaços verdes lindos feitos por eles.

José Sambu acrescentou que a sua organização dispõe de técnicos competentes capazes de executar trabalhos paisagísticos iguais aos congéneres de outros países.

Revelou que a organização que dirige já havia ganho um contrato de embelezamento da berma do troço Mansoa\Farim e colocou palmeiras de bambu ao longo da estrada. 

Afiançou que só um técnico da área terá capacidade de descobrir condição de terra que combina com certo tipo de planta e mais ninguém, pelo que é preciso respeitá-los nas suas atividades.

Por isso, o jardineiro demonstrou que existem tipos de plantas que possam ser colocadas em sítios pavimentados, por um tempo indeterminado e nunca suas raízes iriam arrebentar aquele espaço, como é o caso da espécie sentinela.

“Tendo em conta as dificuldades de encontrar tipos de plantas necessárias a responder às solicitações dos clientes, os membros dessa associação decidiram abrir sete jardins comerciais com o propósito de executar contrato conforme as prioridades dos interessados”, explicou.

Entretanto, o presidente de AJGB revelou que num passado recente havia, sem sucesso, proposto ao Governo a necessidade da criação de um viveiro nacional, de modo a mitigar dificuldade ligada à plantação de algumas espécies de árvores nas florestas do país.

Aquele responsável disse que trabalhar na área de jardim comercial exige saber encarar as perdas, isto porque tornar uma planta bem nutrida requer um esforço dobrado do jardineiro relativo às mudanças frequentes de insumos consoante as suas fases de vida. 

“A Guiné-Bissau é dos países do mundo em que as plantas são vendidas mais barato”, esclareceu.

O presidente da AJGB garantiu que a sua organização funciona legalmente no país, por isso no final de cada mês recolhe as quotizações dos associados e paga contribuição na Câmara Municipal de Bissau.

Quanto às recompensas dos gastos feitos na criação de jardim comercial, José Sambu afirmou que é impossível compensar por inteiro os investimentos realizados, mas sendo um negócio de futuro, a associação irá continuar a trabalhar com a sua equipa dia pós dia. 

Nessa ordem ideia, sendo uma organização que emprega muitos jovens, Sambu pede apoios adicionais do executivo com o objetivo de permitir o crescimento da ação da sua organização.  

No que concerne ao uso de plantas pela sociedade guineense, o chefe dos jardineiros explicou que os citadinos gostam de plantas, embora fazem aquisições daqueles, cujas condições financeiras são razoáveis, para embelezar as suas casas e até para a abertura de quintas no interior do país.

Julciano Baldé

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