Presidente dos magarefes afirma que há falta de carne verde

Apesar da região de Gabu ser o potencial fornecedor de carne e leite ao país, atualmente, em termos de produção pecuário, os citadinos queixam-se de falta de carne em quantidade e qualidade naquela cidade.

Em entrevista exclusiva ao Nô Pintcha, o presidente da associação dos magarefes da região de Gabu (Bussébé), Adulai Djaló, responsabiliza as autoridades administrativas da região pela situação de carência, acusando-as de falta de colaboração para atenuar a situação.

Adulai Djaló disse que a sua associação Bussébé (entenda-se talhantes em língua fula) tentou várias vezes com as autoridades da região para criação de um espaço de venda do gado onde os compradores vindos de Bissau e outras regiões do país poderiam dirigir-se para adquirir as vacas.

Seria uma linha de coordenação do circuito de comercialização do gado na região sem que os compradores deslocassem junto dos criadores nas tabancas para compra de gado. Isso poderia ajudar também os talhantes da região poderem ter acesso ao gado de qualidade para venderem carne de qualidade e em quantidade necessária para os citadinos, sublinhou Adulai Djaló.

Mas, disse que as autoridades não colaboraram com a associação dos magarefes nesse sentido para institucionalizar um local único de venda de gado na cidade de Gabu e assim, facilitaria tanto os criadores como os vendedores.

Adulai Djaló disse que a carne custa mais em Bissau do que em Gabu. Os magarefes de Bissau podem comprar uma vaca de cem quilos até trezentos mil Francos CFA, porque vendem cinco mil Francos CFA ao quilograma.

Enquanto em Gabu, um talhante não pode comprar uma vaca de cem quilos mais de duzentos mil francos CFA, uma vez que um quilo de carne de vaca custa em Gabu dois mil e quinhentos Francos CFA, explicou Adulai Djaló.

Segundo o presidente da associação dos magarefes de Gabu esta é a razão principal porque a cidade de Gabu depara-se com problema de falta de carne em quantidade e qualidade, mergulhando a população em situação de falta de carne para o consumo.

Disse que o gado de boa qualidade é levado para Bissau, deixando as regiões sem carne de qualidade e nem quantidade necessária para satisfazer a necessidade dos consumidores locais.

De acordo com Adulai Djaló essa situação só pode ser resolvida através de uma colaboração entre os magarefes e autoridades, o que passa necessariamente pela criação de um espaço único para a venda do gado.

Prejuízo económico

Conforme ainda as explicações do presidente da associação dos magarefes, essa situação causa prejuízos económicos às autoridades administrativas, os magarefes e aos criadores do gado.

Adulai Djaló afirmou que se o setor for bem organizado vai permitir ao governo regional ter mais receitas, os magarefes terem mais rendimentos, os criadores tirarem maior benefício com suas crias e os consumidores serem os principais beneficiários final de tudo isso, consumindo carne em quantidade e de qualidade.

“Mas para isso é preciso organizar e definir regras claras da linha de comercialização do gado na região”, sublinhou o presidente da associação dos magarefes que lamentou ainda a atual situação de crise de carne que a população da região está a sofrer.

Segundo informações avançadas pelo nosso entrevistado, diariamente é necessário nove vacas para satisfazer as necessidades da cidade de Gabu em termos de carne, mas atualmente não conseguem matar sequer três.

Face à situação, Adulai Djaló exortou às autoridades regionais para busca de estratégias que possam colmatar essa crise de carne na região, minimizando o sofrimento da população. Acrescentou que nada justifica essa situação, uma vez que a região de Gabu é uma das zonas de maior produção pecuária do país tanto em gado bovino, ovino e caprino.

Situação de matadouro e perspetivas

De acordo com as declarações do presidente de associação de magarefes, Gabu beneficiou de um novo matadouro construído em 2018 no âmbito de um projeto e foi equipado com um furo de água e painéis solares que garante a canalização da água às instalações. Mas esse matadouro também está a degradar-se aos poucos.

O problema maior, segundo aquele responsável é o talho do mercado principal de Gabu que não está em boas condições e que requer reabilitação. Também a falta de carro de transporte de carne do matadouro para os talhos preocupa o presidente da associação e apela ao Governo no sentido ajudá-los o mais rápido possível na obtenção de carro frigorífico que garanta o transporte de carne verde em melhores condições para os mercados da cidade.

Atualmente o transporte de carne de matadouro para o mercado é feito com moto carros e carrinhas de mão que não oferecem condições higiénicas para a saúde pública, sublinhou Adulai Djaló

Aquele responsável disse que atualmente já têm um contrato com o Projeto Ianda

Guiné que vai permitir reabilitar o matadouro e o talho do mercado. Esse contrato poderá ser assinado ainda no decurso dessa semana, sublinhou o presidente dos magarefes. Esse projeto vai permitir a construção de um fontenário junto do matadouro para facilitar o acesso a água, concluiu Adulai Djaló.

De salientar que a região de Gabu conta com 657326 cabeças de gado bovinos, 156349 caprinos, 193445 ovinos (censo de 2009), sendo que atualmente esses dados tenham sofrido alterações significativas mas podendo ter sido também afetado seriamente com a problemática da seca que atingiu fortemente a região leste do país, aliada a degradação de zonas de pasto e de doenças de animais, segundo aquele responsáveis do setor pecuário.

Informações disponíveis dão conta que o subsector da pecuária desempenha um papel particularmente importante na economia do país, contribuindo com 17% do PIB nacional e com 32% do PIB do setor agrário. A grande concentração da cria do gado bovino é no leste do país (85%), o que tem traduzido numa importante pressão e degradação dos recursos naturais na zona.

Mas atualmente, essa riqueza não está a beneficiar a população da região que está desprovida presentemente de acesso e consumo de carne de qualidade, o que pode ter reflexo negativo sobre a saúde da população, pois, segundo responsáveis locais, o corpo humano precisa de alimento variado e em especial carne para se fortificar.

Djuldé Djaló

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