“Crianças e grávidas de Boé morrem durante evacuação para hospital de Gabú”

O presidente da Associação dos Jovens Unidos Filhos de Boé (AJUFAB) lamentou o facto de número significativo de grávidas e crianças morrer durante a sua evacuação para o Hospital Regional de Gabú, por causa das péssimas condições da estrada.

Mamadu Bente Djaló falava  em entrevista ao Nô Pintcha, no âmbito dos preparativos da sessão de sensibilização agendada na Secção de Parauale, Setor de Boé.

“Nós, enquanto filhos de Boé, não culpamos os agentes de saúde que trabalham naqueles centros pela morte excessiva de pacientes, porque a colocação do pessoal médico nas regiões requer atribuição de subsídios de isolamento e quando não houver o incentivo ninguém aceita ir”, explicou Bente Djaló.

O ativista assegurou que o setor foi votado ao esquecimento, razão pela qual não foram construídas infraestruturas suscetíveis de demonstrar o quanto Boé é um sítio histórico. 

Assim, aproveitou a ocasião para apelar às empresas de telecomunicações que operam na Guiné-Bissau, no sentido de  colocarem antenas com capacidades de cobrir as 87 tabancas que compõem o setor.

Djaló disse que Boé depara com vários problemas sociais, tendo destacado a falta de professores formados, médicos, enfermeiros, parteiras e a degradação da estrada que dá acesso a esse setor histórico – onde foi proclamada a independência do país.

Aquele responsável demonstrou o quanto a situação dos populares daquela zona tem piorado dia-pós-dia, tendo revelado que as crianças são ensinadas pelos professores com habilitações literárias que não ultrapassam o 4º ano de escolaridade e com grandes dificuldades de expressar o português.  

Perante este facto, o líder juvenil afirmou que os menores não estão a adquirir conhecimento algum, uma vez que os professores só falam fula.

“O inspetor do Ministério da Educação colocado no Setor de Boé ignorou as solicitações da AJUFAB em relação à colocação de professores formados pela Tchico Té e 17 de Fevereiro”, revelou.  

Segundo ele, as 87 tabancas de Boé só dispõem de três pequenos centros de atendimento médico com capacidade de duas camas para o internamento e três parteiras.

“De facto, as populações enfrentam grandes dificuldades de mobilidade devido a deplorável condição de estradas, prejudicando de certa forma o escoamento de produtos comerciáveis de Boé para outra parte do território nacional e vice-versa”, disse Mamadu Bente Djaló.

De acordo com o nosso entrevistado, mais um motivo para o povo de Boé abrir os olhos e saber escolher seus dirigentes políticos, porque os troços Tchetche-Madina Boé e Tchetche-Lugadjol estão revestidos só de pedras, pelo que sua reabilitação seria fácil, mas que até então ninguém dignou fazê-lo.

Por causa de todas as vicissitudes que Boé tem conhecido, a AJUFAB vai organizar sessões de sensibilização na seção de Parauale e, consequentemente, angariar fundos e demais ajudas que serão revertidos em doação a favor daquela comunidade.

Julciano Baldé

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