Quebo e Buba registam gravidez precoce em grande escala

A gravidez precoce é um fenómeno que se verifica em grande escala nos setores de Quebo e Buba, mas existe pouco registo.

É normal que raparigas de 13, 14 ou 15 anos de idade se casem, sobretudo no seio da comunidade da Guiné-Conacri, que se encontra em número significativo na zona. E quando é assim, essas meninas estão sujeitas a ter filhos antes de completarem 18 anos.

O registo dessas situações só pode ser conseguido com fiabilidade nos estabelecimentos sanitários locais. Mas ali, no caso de Quebo, os dados não são organizados em função da faixa etária, pelo que não é fácil obtê-los de um momento para o outro, segundo as explicações do diretor do Hospital “Guerra Mendes” de Quebo.

Fontes hospitalares confirmaram ao “Nô Pintcha” que a gravidez de menores tem dado entrada naquele centro dia após dia.

No entanto, o jornal conseguiu, através da colaboração da esquadra da Polícia, registos oficiais de raparigas que se engravidam precocemente. Mas, como se sabe, esses dados referem-se apenas às situações que tenham gerido algum conflito entre os familiares do rapaz e da rapariga envolvidos.

Nas sociedades locais, nem todos os problemas do género chegam à polícia, pois muitos deles são resolvidos na base de um diálogo interno, envolvendo chefes tradicionais, religiosos e anciões.

Segundo informações recolhidas na esquadra, em 2021, foram inscritos somente dois casos de gravidez precoce. O primeiro foi em meados de agosto, envolvendo uma rapariga de 16 anos de idade com um rapaz de 29. O segundo aconteceu em finais de setembro, quando um jovem de 19 anos engravidou a sua parceira de 17.   

Buba com 23 casos em 2021

O setor de Buba, por seu lado, registou 23 casos de gravidez precoce em 2021, num total de 416 partos realizados no Centro de Saúde Arafam Djamba Mané.

Os dados foram avançados ao “Nô Pintcha” pelo responsável da Área Sanitária de Buba. Adão Ricardo Sina Sambu disse que nem todos os partos são feitos no hospital, uma vez que ainda persistem o tratamento e o sistema tradicional de dar à luz.

A isso, junta-se as sucessivas greves desencadeadas pela União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) durante praticamente todo o ano. Aliás, as referidas paralisações contribuíram, também, para as poucas consultas pré-natais (CPN) que, no que diz respeito aos menores de 18 anos, foram verificadas apenas oito casos durante todo o ano.

No momento em que se verificou maior vaga de greves no setor sanitário não houve nenhum registo de parto ou consulta pré-natal. As primeiras CPN deste ano aconteceram em fevereiro e, desde então, só se registaram em novembro (5) e dezembro (2), quando as paralisações se abrandaram.

Fazendo uma pequena comparação, o responsável da Área Sanitária de Buba fez saber que nas situações em que não haja greve no setor de saúde, o centro regista mais de 750 partos por ano, muito acima dos 416 observados em 2021.

É bom salientar que os dados indicados referem-se apenas ao Centro de Saúde Arafam Djamba Mané, de Buba, já que o setor dispõe de mais duas outras unidades hospitalares, nomeadamente em Banta e Ndjassane.

Enquanto isso, a esquadra da Polícia de Buba registou seis casos de gravidez precoce, mormente em janeiro, março, maio, agosto, setembro e dezembro.

O mais preocupante nesta situação tem a ver com dois casos de raparigas que se engravidaram com 12 e um com 13 anos de idade. As restantes três (também preocupantes) referem-se a meninas de 16 anos.

Em conversa com o “Nô Pintcha”, alguns residentes e membros das organizações da sociedade civil, defensoras dos direitos da mulher e da criança, informaram que casos de violação sexual de menores são constantes naquela zona sul do país.

Texto e fotos: Ibraima Sori Baldé

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