Governo reabilita estrada Gabu-Pirada

O Governo, através do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, iniciou no dia 5 de junho a reabilitação, em terra batida, de 54 km do troço que liga Gabu a Pirada.

As obras estão a ser executadas pela empresa de construção Comercial Santy, com o objetivo de facilitar as populações desta zona a terem acesso ao centro de saúde em melhores condições e escoamento dos seus produtos agrícolas, permitindo ainda ao Estado arrecadar mais receitas através das Alfândegas de Gabu.

Com efeito, o ministro das Obras Públicas efetuou uma visita a esta estrada em reabilitação, tendo considerado que a melhoria das infraestruturas constitui o suporte principal do desenvolvimento económico de qualquer país.

Fidélis Forbs reconheceu que a Guiné-Bissau tem um “défice gritante” de infraestruturas e é por isso mesmo que o Governo liderado por Nuno Gomes Na Biam elegeu o setor como um dos eixos principais de governação.

“É neste quadro que entendemos que a prioridade das prioridades é o setor das obras públicas. Foi nesta dinâmica que o ministério que superintende esta área desencadeou várias ofensivas em vários troços do país.”

Fidélis Forbs explicou que a nível da degradação de estradas, a Guiné-Bissau perde, anualmente, cerca de 12 bilhões de francos CFA, ou seja, 1,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

“Por outro lado, o Executivo criou condições para reabilitar as estradas em terra batida, numa perspetiva de médio e longo prazos, criar condições objetivas para fazer estradas alcatroadas”, disse o governante.

De acordo com Forbs, a reabilitação deste troço significa que o governo quer melhorar as condições de vida das populações, através do acesso a equipamentos sociais, tais como centros de saúde e escolas e não só, o que permite às pessoas melhorar os seus rendimentos do ponto de vista económico.

“Vamos conseguir concluir os trabalhos”

Relativamente à reabilitação deste troço em época chuvosa, o que pode dificultar os trabalhos em curso, o governante disse terem clara consciência sobre esse problema, mas estou convencido de que vamos conseguir concluir os trabalhos.

Fidélis Forbs garantiu, ainda, que neste momento, ainda se possa ser considerado tarde, a nossa instituição tem condições de concluir a reabilitação de dois troços, num total de quatro.

“Se conseguirmos reabilitar estes dois troços, com o evoluir das chuvas veremos se conseguimos concluir o resto.”

Relativamente à reabilitação de estradas que ligam Mansaba-Bafatá, Tantam Cossé-Cambadju, e Mampata Forreá-Cacine, Fidélis Forbs explicou que estes troços foram escolhidos na base de um critério objetivo, mesmo com as dificuldades financeiras que o Governo está a enfrentar, herdada do antigo executivo, vai identificar alguns fundos para reabilitar certos troços e pistas rurais a nível das regiões do país.

“Há um projeto em perspetiva para reabilitar cerca de 80 quilómetros de estradas, através do Banco Oeste Africano para o Desenvolvimento (BOAD), que vão cobrir a segunda cintura de Bissau.”

Relativamente à rescisão do contrato com algumas empresas que não cumpriram com rigor o que acordou com o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, o governante justificou que esta medida foi tomada através de um estudo feito pelo próprio ministério de rever todos contratos assinados desde 2019. “Nesta base, verificamos que houve falhas no cumprimento de certas empresas com o Ministério e, de igual modo, do Ministério com algumas empresas.

No entender de Fidélis Forbs, o Estado deve pagar a empresas às quais ainda deve, ao mesmo tempo que tem o dever de anular o contrato com esta empresa e retirar-lhe o alvará.

O governante voltou a afirmar que as empresas que não cumprirem com o que estiver assinado com as Obras Públicas, correndo o risco de ser suspensos os seus respetivos alvarás de construção. Esta decisão deve ser “irreversível”. Forbs lembrou que este Governo herdou vários problemas sociais, como a dívida de mais de 10 milhões de dólares que tem de ser paga para que possamos manter o fornecimento da energia elétrica às populações, para além do problema dos salários dos funcionários públicos que se encontravam em atraso.

“O governo tem estado a resolver todos estes problemas, assim como as reivindicações das centrais sindicais, como se tem observado desde a entrada deste Governo liderado por Nuno Gomes Nabiam.”

Condutores queixam-se da degradação de estradas

Durante a visita do titular da pasta do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo a esta zona em reabilitação, o jornal “No Pintcha” ouviu alguns condutores de transportes mistos da Região de Gabu, que foram unânimes em criticar as condições das estradas que, segundo eles, são obrigados a levar as suas viaturas às oficinas para reparar avarias ou fazer manutenção depois da viagem.

Os condutores explicaram que as corridas entre Gabu e Pirada constituem uma dor de cabeça, pois correm o risco de dormir na estrada, concretamente nas matas, porque as rótulas ou suspensões dos carros ficam completamente danificadas, chegando a regressar muitas vezes sem as luzes da viatura.

“Para além desta situação, ainda somos multados pelos agentes de trânsito por falta de luzes nas viaturas”, lamentam os motoristas.

Explicaram, ainda, que viajam neste troço com muito medo, porque às vezes não sabem se chegam ao destino ou se somos obrigados a dormir na estrada.

Estes condutores denunciaram, ainda, que as más condições das estradas do interior do país podem causar impacto negativo na vida das mulheres, principalmente das grávidas, que muitas vezes podem provocar aborto imediato.

“Muitos condutores abandonaram a profissão devido a problemas na coluna provocados pelo mau estado das nossas estradas,” lamentaram.

Na sua opinião, a reabilitação do troço Gabu-Pirada irá refletir positivamente nas condições de saúde da população e, principalmente, na redução da mortalidade materno-infantil e das mulheres.

Por: Fulgêncio Mendes Borges

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