9 Abril 2020

Seca está a extinguir árvores de fruta no leste do país

As consequências da seca são sentidas cada vez mais no leste da Guiné-Bissau, concretamente nos sectores de Pitche, Pirada e Sonaco na região de Gabu. Também uma parte da região de Bafatá, concretamente os setores de Contuboel, Ganado e Galomaro-Cossé estão fortemente ameaçados.

As grandes consequências começaram a ser sentidas há alguns anos atrás, nomeadamente a diminuição da precipitação, desaparecimento de cursos de água, desaparecimento de algumas espécies de árvores florestais e frutíferas, seca de poços, fuga de algumas espécies animais selvagens, entre outras.

O Nô Pintcha centrou a sua atenção no que concerne as laranjeiras, papaeiras, limoeiros e mandiocas, quatro espécies utilitárias para a sobrevivência humana, mas que estão em extinção no leste, concretamente nos setores acima referenciados, devido ao aumento da seca.

Esta situação está a afetar de que forma a economia, a segurança alimentar e nutricional das populações que dantes tiravam grandes proveitos deles, contribuindo assim na geração da renda e alimentação para as famílias.

A título de exemplo, anos atrás, dois destes quatro produtos (laranja e mandioca) eram exportados para o Senegal, Gâmbia e Mali, onde os comerciantes destes países vinham com camiões para comprarem estes produtos junto dos nossos camponeses.

Serviços da Agricultura preocupados com a situação

Abordado pelo Nô Pintcha, o ex-diretor regional da agricultura de Gabú e técnico agrário, Lassana Dã disse que a situação de morte das plantas que se verifica, com destaque as laranjeiras na zona leste poderá estar relacionada com a problemática da seca e também ataque de tremitas.

Ele disse que há três anos atrás, a Direção Regional da Agricultura quando detetou esta situação, tentou analisar e dotar estratégias para descobrir as causas da mesma, mas sem sucessos.

O primeiro teste foi realizado numa das tabancas do setor de Pirada que consistiu em escavar covas de um certo raio de profundade onde foram regados viveiros de laranjas. Tudo para saber se de facto a morte das laranjeiras está ligada com a fata de água ou não.

O técnico disse que mesmo assim, estes viveiros não registiram, não por falta de água mas sim, não se sabe da razão da morte da planta.

Instituto Nacional de Pesquisa Agrária

Segundo Lássana Dã os serviços do INPA - Instituto Nacional da Pesquisa Agrária - são os mais indicados para inspecionar as causas do desaparecimento destas plantas frutíferas no leste do país que agora está a estender-se para outras regiões do país.

Face a esta situação preocupante, o antigo diretor regional da agricultura exorta o Governo, concretamente o Ministério da Agricultura, através do INPA, no sentido de se engajar na identificação das causas da morte dessas árvores aqui referenciadas e outras por forma a encontrar soluções que possam atenuar esta consequência.

Disse que a morte das laranjeiras, papaeias, limoeiros e a redução considerável da produção da mandioca no país poderá provocar consequências incalculáveis sobre a economia, a segurança alimentar e nutricional da população.

Economia e segurança alimentar

Várias pessoas contatadas pelo Nô Pintcha, na sua maioria agricultores familiares, explicaram pormenorizadamente a contribuição destes produtos na economia e na segurança alimentar das famílias.

De acordo com as nossas fontes, a comercialização destes produtos gerava muita renda às famílias, ajudando na escolarização das crianças, saúde e alimentação das pessoas assim como na melhoria das condições de vida das populações.

Além da comercialização, por exemplo, a mandioca é transformada tradicionalmente servindo de alimento para todo o ano, contribuindo assim no reforço da segurança alimentar e nutricional.

O desaparecimento destas culturas preocupa de que maneira os camponeses da zona por verem diminuídas as suas economias, passando a depender exclusivamente do caju que apesar de ser um produto estratégico da economia nacional é também de alto risco devido a sua instabilidade no mercado internacional e de variação na produtividade.

Por: Djuldé Djaló

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